Hoche Neger Segurado

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O Campineiro do Copacabana Palace.                                      Matéria da Coluna Bau de Histórias de 25/03/2012 –        Leda Maria Cantúsio Segurado, neta do engenheiro, com uma das plantas. Foto: Flávio Grieger/AAN. Dez plantas arquitetônicas do Copacabana Palace, luxuoso hotel carioca erguido há 90 anos, foram encontradas em uma saleta improvisada como arquivo morto, na garagem de um prédio comercial do bairro do Bosque. São projetos na escala 1:100 mostrando a fachada, cortes longitudinais e transversais. Com paciência de monge, os desenhistas colocaram no papel detalhes mínimos: bandôs, luminárias, lustres, entalhes sulcados, adornos. Aquele palácio, na primeira metade do século passado, ficou famoso por hospedar celebridades do mundo inteiro, e seduzia os visitantes com uma estrutura impressionante: teatro, salas de chá e banquetes, jardins internos, suítes especiais. As plantas são um acervo de valor histórico imenso, que foi preservado ao longo do tempo por Hoche Neger Segurado, um dos mais conceituados engenheiros civis da história de Campinas. As plantas (em fundo azul), foram encontradas no final do ano passado por Leda Segurado, neta do engenheiro, que hoje administra uma imobiliária da família no Edifício Campinas Comercial Center, na Rua Barão de Paranapanema. Os projetos quase centenários, dobrados, exigem a maior cautela para o manuseio. Aberta, cada planta toma quase toda a mesa do escritório. Leda fala que, no final de dezembro(2012), ela atendeu ao pedido de uma secretária, que alertava para o risco de se perder documentos que eram a memória da carreira brilhante de Hoche, que fez obras importantíssimas em Campinas e cidades vizinhas. A grande surpresa foi encontrar, no meio da papelada, a pasta com as plantas do hotel charmoso, erguido na praia mais famosa do mundo. Hoje em dia, o Copacabana Palace é administrado por um conglomerado internacional, o Orient-Express. O projeto original, do arquiteto francês Joseph Gire, foi pensado para representar, no Rio, a porta de entrada no Brasil para as personalidades estrangeiras convidadas para as comemorações do centenário da Independência, marcadas para 1922. Mas o como aquelas plantas raras, com detalhes ricos, vieram parar em Campinas? Na opinião de Leda, neta orgulhosa, o avô trabalhou ao lado dos desenhistas contratados pelo arquiteto francês. Depois de se formar na paulista Escola Politécnica (USP), Hoche Neger estagiou no Rio de Janeiro. Sabe-se, por em exemplo, que em 1920 e 1921 as obras do hotel iam de vento em popa. Surgia na paisagem o primeiro edifício naquele sossegado e romântico bairro de sobrados e casarões, na então capital federal. O jovem campineiro, na época, praticava o desenho com os mestres de uma importante construtora carioca, a Monteiro Aranha. O hotel não ficou pronto para as comemorações do centenário. A inauguração só aconteceu em agosto de 1923. O imóvel tinha mármores de Carrara e cristais da Boêmia. Suas linhas eram inspiradas em hotéis clássicos de cidades francesas da costa do Mediterrâneo. Era uma obra cara, mas tão cara, que só se tornou viável porque os proprietários do terreno Octávio Guinle(1886 + 1968, avô da atriz Guilhermina Guinle) e Francisco Castro Silva _ tiveram autorização federal para explorar um cassino no estabelecimento. Em pouco tempo, o hotel se tornou reduto de milionários. E alcançou a fama mundial em 1933, quando ambientou as filmagens de Flying Down to Rio, filme que reuniu Fred Astaire e Ginger Rogers. Correu a fama do lugar, sonho de consumo para poucos. O glamour do Copa sofreu um golpe violento em 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra(1883 + 1974) proibiu a existência de cassinos. Decisão que condenou à falência inúmeros estabelecimentos luxuosos do Brasil inteiro. Com a concorrência de conglomerados hoteleiros que passaram a disputar o público refinado que viajava ao Rio, o Copa foi se esvaziando, até ser vendido pelos herdeiros ao Grupo Orient-Express, com estabelecimentos nos mais concorridos pontos turísticos do planeta. O imóvel encantador, que toma 12 mil metros quadrados, foi tombado como patrimônio arquitetônico. E os proprietários atuais modernizaram os serviços sem descaracterizar os traços arquitetônicos originais. E como Leda tem plena consciência da importância do acervo, ela já entrou em contato com os diretores do hotel e disponibilizou as plantas. A neta admite: não há como saber se Hoche de fato desenhou uma das plantas, ou parte de uma delas. Em todas as plantas trazidas a Campinas, só há a assinatura do arquiteto francês. Também é possível que os projetos encontrados no armário não tenham sido os defintivos. Nada, no entanto, que ofusque a importância do achado. Aqui estão desenhos milimétricos de pontos do prédio preservados até hoje. “É inacreditável saber que estavam esquecidas em um armário de Campinas as memórias de um lugar que é a cara do Rio de Janeiro, que sempre foi a imagem do Brasil lá fora”, fala.

 

 

Hoche Neger Segurado, nasceu nesta cidade, em 18 de março 1895. Filho de Lucília Neger Segurado e do Prof. Arthur Victor de Azevedo Segurado.

Formou-se em 1919, na Escola Politécnica de São Paulo. Trabalhou no escritório de Ramos de Azevedo, ícone da arquitetura paulista.

Depois do estágio no Rio, voltou pra cá e, ao longo de 34 anos, teve uma carreira notável. O engenheiro comandou os pedreiros que, por exemplo, ergueram o imponente edifício Franz Dafert, imóvel do Instituto Agronômico (IAC) que,desde 2004, é tombado como patrimônio arquitetônico campineiro (projeto que saiu da prancheta de Ramos).

O escritório também foi responsável pela execução de muitas outras obras importantíssimas na cidade. Como os prédios da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), atrás do Palácio da Justiça; da charmosa Igreja de Nossa Senhora das Dores, na Rua Maria Monteiro; do Seminário Diocesano da Avenida Da Saudade; do Hotel Términus (sede atual do Magazine Luiza), da Fábrica de Chapéus Cury, no Guanabara. Verdadeiras pérolas da engenharia campineira da primeira metade do século passado.

Na região, Hoche comandou a construção de imóveis como o prédio da Fábrica Gessy, em Valinhos; o Cine e Hotel Cacique, em Americana; a Santa Casa de Rio Claro, o Edifício José Kauffmann,  Edifício Regina(1946), na Rua Thomaz Alves,  Edifício Piratininga(1946), na Rua César Bierrenbach, Edifício R. Monteiro, na Rua Barão de Jaguara, Galeria Trabulsi(1948), entre muitos outros.

 Casou-se com a Sra. Gracília Duarte Segurado. Deste matrimônio nasceu: Milton Duarte Segurado; Rubens Duarte Segurado, casado com Leda Cantúsio Segurado; Maria Lucila Segurado Otero, casada com Nelson Rodriguez Otero; Odete Segurado Camargo, casada com Jenner Tosetti Camargo e Maria Regina Duarte Segurado. Tinha como irmãos: Danton; Lavoisier; Moacir; Thomyris e Cid Segurado.

 Hoche Neger Segurado, faleceu em 26 de março de 1959, aos 64 anos. 

 

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