Fazenda Pau D’Alho

Publicado 14/05/2014 por lcs2308

A Fazenda Pau D’Alho, era um engenho de cana-de-açúcar, como a maioria das propriedades na região, e tornou-se uma grande produtora de café em meados do século XIX.

  A fazenda originou-se do fracionamento da Sesmaria de Antônio Benedicto de Cerqueira César, que também originou as fazendas Anhumas e Santa Cândida. Essa sesmaria foi concedida em 1788, na estrada de Goiás, no bairro de Anhumas, onde “o proprietário havia adquirido os direitos de posse”. de Pedro José Baptista, de Antônio Bicudo e de Ana Telles Moreira. Antônio Benedivto de Cerqueira César, “aí fundou o seu engenho”, em 1796, confrontando com João Correia Bueno e Antônio Ferraz de Campos.

 Falecendo em 1828, Cerqueira César deixou as terras da sesmaria para seu filho Antônio Benedicto de Cerqueira Leite, que foi pai, entre outros, do Dr. Francisco Glycério, do coronel Júlio César de Cerqueira Leite, de Leão Cerqueira, Jorge Ludgero de Cerqueira Miranda e de Elóy Cerqueira. A viúva de Cerqueira César, D. Anna Jacintha do Amaral, vendeu a propriedade ao Sr. Manuel Leite de Barros, cuja viúva, Cândida da Rocha Ferraz, em 1874, dividiu a sesmaria em três fazendas: Anhumas, Pau D’Alho e Santa Cândida.

  A família Cerqueira César, descendente de um dos beneficiados, vendeu-a para a família Aranha, na pessoa, o comendador Manuel Carlos de Sousa Aranha(Barão de Anhumas), proprietário da vizinha Fazenda Tanquinho(mais tarde Fazenda Santa Maria).

        Família do Barão de Anhumas, no início do século XX: Imagem

 

Abaixo no primeiro plano, filhos de ex-escravos, sentados no chão, exibindo a primeira página do jornal “Cidade de Campinas”, no segundo plano, a filha da dona da fazenda Pau D’Alho, D. Anna Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho, casada com José Estanislau de Arruda Botelho (filho do coronel Antônio Carlos de Arruda Botelho, Conde do Pinhal e Anna Carolina de Mello Franco Oliveira, filha do Visconde de Rio Claro), sentada no banco em 1909.

 

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Abaixo Barão de Anhumas:

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 Em 1885, a Fazenda Pau D’Alho já pertencia ao Comendador Manuel Carlos de Sousa Aranha, (futuro barão de Anhumas), possuindo trezentos mil pés de café, com máquinas de benefício e terreiros pavimentados de tijolos. Tamanha era a riqueza produzida que o Diário de Campinas, em 11 de dezembro de 1885, noticiava que “comendador Manoel Carlos Aranha acabava de contratar professor para seus escravos menores“.

    O Solar, a chamada ‘parte alta’, foi a primeira construção executada em Campinas pelo escritório do engenheiro e arquiteto campineiro Ramos de Azevedo, conforme afirma o historiador campineiro Celso Maria de Mello Pupo, sendo que esta parte social da sede da fazenda (salas de estar, de refeições, ala íntima e algumas alcovas) foi projetada pelo engenheiro, com utilização de tijolos feitos na propriedade, com o monograma das iniciais de seu proprietário, BA, além de madeiras de lei e materiais importados. Os outros dezesseis aposentos que compunham a ala anterior a esta construção, são diferenciados pela técnica empregada na construção (taipa).

Fazenda Pau D’Alho no início do seculo XX, com tropa bebendo água no Ribeirão Anhumas: Imagem

Fazenda Pau D’Alho no início do século XX: Imagem

    Em 1894, ocorreu o falecimento de Manuel Carlos Aranha, barão de Anhumas, em sua residência, em São Paulo, não mais na rua do Rosário (atual Avenida Francisco Glycério), em Campinas, de onde se mudou, para a capital de São Paulo, como a maioria dos fazendeiros da região, por causa da epidemia de febre amarela. Foi proprietário por 9 anos da Pau d’Alho, onde passava temporadas para gerir os negócios, assim como para descanso de familiares.

     Em 1900,registra-se a Pau D’Alho como pertencente a Blandina Augusta de Queiroz Aranhabaronesa de Anhumas, filha de José Pereira de Queiroz e Escholástica Saturnina de Moraes Jordão, e sobrinha do barão de Jundiaí, Antônio de Queiroz Telles, com a produção de quatorze mil arrobas de café. Em 1914, aparece com a mesma proprietária, com quinhentos alqueires de terra e quinhentos e dezessete mil pés de café. A baronesa também declara nesse ano a propriedade da Fazenda Santa Maria (antiga  Fazenda Tanquinho), com 500 alqueires, herdada posteriormente por seu filho José de Queiroz Aranha, casado com sua prima-irmã, Maria Egydio de Souza Aranha, filha do tenente-coronel, José Egydio de Sousa Aranha e de Antônia Flora de Queiroz Aranha (irmã da baronesa de Anhumas).

      Em 1928, com o falecimento da Baronesa de Anhumas em São Paulo, onde residia, e tendo sido proprietária por 43 anos da fazenda, a propriedade foi herdada por sua filha Ana Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho, tendo alternadamente residido na propriedade e enfrentado graves crises, como a crise cafeeira em 1929, quando a área da fazenda foi bastante reduzida.

             Sra. Anna Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho, na fazenda Pau D’Alho em 1914:Imagem

        Anna Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho:

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    Anna Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho:Imagem

 

Em 1932, com o falecimento de seu pai, José Estanislau de Arruda Botelho, e, em 1942, com o de sua mãe Anna Blandina de Queiroz Aranha de Arruda Botelho, e ainda com a morte de sua irmã Maria de Lourdes Aranha de Arruda Botelho, a propriedade passou por herança à filha Renata Cecília Aranha de Arruda Botelho Sanchez, casada com Antônio Maria Justo Moneva Sanchez, residente no Rio de Janeiro (pais de José Estanislau de Arruda Botelho Sanchez, o Jica, e de Marina de Arruda Botelho Sanchez).

Em 1944, D. Renata Cecília Aranha de Arruda Botelho Sanchez a vendeu a um de seus primos, Manoel Carlos Aranha, que nunca teve filhos e que era já proprietário da Fazenda Rio da Prata por herança de seu pai, Luís Augusto de Queiroz Aranha.

Em 1948, Manoel Carlos Aranha, casado com sua prima Maria Catarina da Silva Prado (filha de Luís da Silva Prado e de Eudóxia da Cunha Bueno, neta paterna do conselheiro Antônio da Silva Prado), que, sendo dedicado a vários outros afazeres, vendeu a sede, com a área envoltória de setenta e oito alqueires, saindo então a fazenda da família Aranha, da aristocracia cafeeira, e passando à família Dutilh de imigrantes holandeses, que comprou a fazenda e passou a criar gado holandês e a produzir leite.

 

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Algodão colhido na fazenda em 1952, no terreiro: Imagem

 

Brincadeiras no jardim da fazenda na década de 1950:Imagem

 

Casa onde nasceu Francisco Glycério – 1951: Imagem

 

Colheita de arroz:

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Combatendo pragas no algodão:Imagem

Enchendo o silo com milho picado. Anos 1950:

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Estábulo – década de 1950:Imagem

 

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Estabulo – 1949:

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Fazenda Pau D’Alho/Vacas no início do século XX. Neste local foi feito plantio de árvores na década de 1950:

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Vista da Fazenda

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Gravura colorida da Fazenda Pau d’Alho, de meados do sec XIX:Imagem

 

Horta – 1949:

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Jardim – anos 50:

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Funcionou na fazenda, até o ano de 1990, uma escola municipal com os quatro primeiros anos do ensino fundamental. Nas décadas de 1960 e 1970 funcionou um ambulatório médico e dentário. Em 1992 foi encerrada a criação de gado, com início do cultivo de grãos, como milho e girassol.

Na década de 1970, parte de suas terras foi vendida à Telecomunicações Brasileiras S/A (Telebrás) e à ABC XTAL Microeletrônica S/A.

Tornou-se esprimida entre o polo de alta tecnologia, a rodovia SP-340(Campinas-Mogi Mirim), a mancha urbana e a poluição do córrego Anhumas. Em 2004, a fazenda foi reformada, sendo a parte construída pelo Escritório de Ramos de Azevedo bem como a antiga, de taipa, unificadas pela pintura (não mais em branco com janelas azuis esmaecidas, como de época, mas em tons fortes de amarelo com janelas em azul), e adaptada pela “Casa Cor” para sua exposição de decoração.

Em 2010, iniciou-se um programa de visitas de escolas, com grupos de atores apresentando a história da fazenda, com aspectos da edificação e ecologia.

A propriedade reúne cerca de sete mil metros de pátios, jardins, capela e antigas senzalas. Não conserva mobiliário de época. Se transformou em um local comercial de eventos diversos, pelos posteriores proprietários, até o ano de 2011.

Ribeirão Anhumas passa a cerca de 15 metros de distância da casa-grande. As árvores que emprestaram o nome da fazenda continuam a exalar o cheiro de alho pela propriedade. Imagem

Interior da sede em julho de 1954, a gravura está desaparecida:Imagem

Moça limpando café 1950: Imagem

Moças limpando o café: Imagem

 Sala de Estar – 1954:

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Sala de jantar da sede em novembro de 1950:Imagem

Terraço da sede em 1949: Imagem

Referências

  • PUPO, Celso Maria de Melo: Campinas, Município do Império, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo, 1983, pg. 175/figs.358 e 359, e pgs. 186 e 187.
  • DITCHUN, Ricardo: “Ilhada, Fazenda Pau-d’alho resiste ao progressopropriedade foi construída na metade do século 19, durante o período inicial da expansão da cultura cafeeira…” – Folha de São Paulo, São Paulo, 13 de outubro de 1991.(Biblioteca Centro de Memória – Unicamp – arquivo de origem: libdigi.unicamp.br)
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8 comentários em “Fazenda Pau D’Alho

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