Barão de Itapura

Publicado 08/06/2014 por lcs2308

O Barão de Itapura(Joaquim Polycarpo Aranha), nasceu em 1809, na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Filho do Sr. José Francisco Aranha Barreto de Camargo e  da Sra. Marianna de Assis Barreto de Camargo. 

Foi um dos expoentes da política e da agricultura desta durante o Ciclo do Café, no século XIX, e tanto ele como seu irmão Manuel Carlos Aranha(Barão de Anhumas), se tornaram grandes proprietários, dos mais ricos do município. Foi vereador da câmara municipal no triênio 18451848, quando, em 1846, recepcionou o então jovem imperador D. Pedro II, quando da visita deste a Campinas.

Família

A ascendência do Barão de Itapura remonta aos primórdios da Monarquia francesa, havendo sido Hugo Capeto (Chartres, 0941 – Les Juifs, 0996) um de seus avoengos e por decorrência El Rei Dom Afonso Henriques (Viseu,1109 – Coimbra1185) e D. Mafalda de Sabóia, primeiros reinantes em Portugal. Estudos a respeito de Joaquim Policarpo Aranha, Barão de Itapura, assim como de seu irmão Manuel Carlos Aranha, Barão de Anhumas, e da irmã Maria Aranha, supõem tenham sido tutelados do sesmeiro José Francisco Aranha Barreto de Camargo. Os barões eram parentes de suas mulheres, ambas irmãs do Marquês de Três Rios e netas de Joaquim Aranha Barreto de Camargo, pai da Viscondessa de Campinas e proprietário da Sesmaria Engenho Mato Dentro, com 1151 alqueires, a qual foi famosa pela mudança do cultivo da cana-de-açúcar para o café, inclusive com pioneirismo da  exportação. José Francisco Aranha Barreto de Camargo, possuía propriedade na margem esquerda do Médio-Atibaia, mas suas terras transpuseram o rio, por compra, da Sesmaria Engenho Atibaia, com 2247 alqueires, declarado em “Bens Rústicos”, de 1818, sendo que esse latifúndio foi rebatizado como “Fazenda Atibaia“. No engenho Atibaia foi construído o Solar Barreto de Camargo, de quem foram os barões de Itapura e de Anhumas, legatários por testamento em 1830, sendo que mais tarde passou à propriedade total do Barão de Itapura, que abandonou o solar, deixando-o deteriorar-se até desmoronar totalmente. José Francisco, segundo biógrafos, viúvo de Marianna de Assis Barreto de Camargo, dedicou-se o sesmeiro à visitação diocesana. Os irmãos Joaquim Aranha Barreto de Camargo, José Francisco Aranha Barreto de Camargo e Maria Francisca Aranha de Camargo (casada com Pedro de Sousa Campos), de cujo casamento se originou a família Sousa Aranha, eram filhos do tenente coronel Francisco Barreto Aranha e de Mônica Barreto de Camargo,sendo esta, bisneta do bandeirante Capitão Fernão de Camargo, “O Tigre” (São Paulo, 1595-1679). Joaquim Egydio de Sousa AranhaMarquês de Três Rios, era cunhado e primo dos barões de Itapura e de Anhumas, tendo sido uma figura proeminente em aqui e em São Paulo, onde exerceu posição relevante como Presidente de Província, por três ocasiões.

Casamento e descendência

Casou-se aos 34 anos, com sua prima em segundo grau Libânia Leopoldina de Sousa Aranha(* 6 de junho de 1829 + 8 de janeiro de 1921), filha do coronel Francisco Egydio de Sousa Aranha, natural de Santos, e de D. Maria Luzia de Sousa Aranha, Viscondessa de Campinas, natural de Ponta Grossa.

 O casamento foi aos 6 de fevereiro de 1843, no mesmo dia do primeiro casamento de seu irmão, Manuel Carlos Aranha, mais tarde, Barão de Anhumas, com sua prima Anna Teresa de Sousa Aranha na capela da sede do Engenho Fazenda Mato Dentro, de propriedade de seus sogros, pioneiros na introdução do café na região.

Tiveram seis filhos:

  • Joaquim Polycarpo Aranha Junior, batizado em 11 de novembro de 1845;
  • Manuel Carlos de Sousa Aranha Sobrinho;
  • José Francisco de Sousa Aranha(* janeiro de 1848), casou-se com sua prima, Luiza Barbosa Aranha, em 08 de dezembro de 1883, filha de Joaquim Paulino Barbosa Aranha e de D. Brasília de Melo;
  • Alberto Egydio de Sousa Aranha, casado com sua prima Isolina(Uzolina) Barbosa Aranha, filha do mesmo casal, Joaquim Paulino Barbosa Aranha e de D. Brasília de Melo;
  • Isolethe Augusta de Sousa Aranha(conhecida como ‘Iaiá’), falecida em 1957, aos 90 anos, 

 

Abaixo Coluna Bau de Histórias – Correio Popular 02/03/2006:

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  • Propriedades

    Foi proprietário, dentre outras, da Fazenda Sete Quedas, da Fazenda Bom Retiro, da Fazenda Chapadão (mais tarde passada à propriedade do Exército), onde se localiza a 11ª Brigada de Infantaria Leve (GLO). Nas proximidades estão o Instituto de Tecnologia de Alimentos, a Fazenda Santa Elisa, pertencente Fazenda Dois Córregos, Fazenda Santa Teresa e Fazenda Atibaia, cuja soma das quatro últimas chegava a 830:000$000 (oitocentos e trinta contos de réis). A Fazenda Atibaia era vizinha da Fazenda Tanquinho (depois Fazenda Santa Maria), separadas pelo Rio Atibaia, esta sendo de propriedade de seu irmão, Manuel Carlos Aranha, barão de Anhumas.

    Fazenda Atibaia produzia, em 1851, 8 mil arrobas de café e, em 1883 possuía 300 mil pés de café em terra massapé, com máquina de benefício à água e terreiro de terra branca. O barão de Itapura e a baronesa consorte, com partilha em vida, em 1890, destinaram a fazenda a dois filhos, Joaquim Polycarpo Aranha Júnior e Manuel Carlos de Sousa Aranha Sobrinho, tornando-se, mais tarde, o primeiro seu proprietário exclusivo, e tendo, em 1900, produção de 15 mil arrobas de café. Em vida Joaquim Polycarpo Júnior, falecido em 1925, vendeu a fazenda à sua irmã, Isolethe Augusta de Sousa Aranha. Joaquim Polycarpo Júnior foi proprietário, em 1914, da Fazenda São José da Boa Vista (Valinhos).

    Solar B. Itapura

    Palácio Itapura

    Solar Barão de Itapura, década de 1950. Foto: De Biasi.

    Solar Barão de Itapura, década de 1950. Foto: De Biasi.

    Solar Barão de Itapura

    Solar Barão de Itapura

     

     

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seu solar, o “Palácio Itapura”, na Rua Marechal Deodoro, nº 1099 (antiga Rua do Imperador nº 28), obra do renomado construtor Luigi Pucci, expressão fiel da arquitetura do fim do Império, de estilo clássico, imponente, contendo 227 cômodos, com as janelas em semicírculos no seu andar inferior, tendo sido concluído em 1883Por ocasião do falecimento do Barão de Itapura, o palácio foi avaliado em 100:000$000 (cem contos de réis). Nele residiram os barões desde 1883, até falecerem. Nesta residência assinaram a partilha dos bens, onde, além do palácio, a casa na Rua do Góes, (depois Rua César Bierrenbach), a Fazenda Chapadão, passada mais tarde ao filho Alberto Egydio de Sousa Aranha, e Fazenda Dois Córregos, e, fora do município, as fazendas Santa Teresa, Vila Velha, São João da Glória e Guaipurica, deixando fora da partilha as fazendas Bom Retiro, Atibaia e outros bens. A Fazenda Recreio foi de propriedade de seu filho José Francisco de Sousa Aranha por sucessão de seu sogro Joaquim Paulino Barbosa Aranha.

  • Solar.

     

     

    Com a morte da baronesa consorte, em 1921, foi o Palácio Itapura herdado pela caçula e única filha do casal, Isolethe Augusta de Sousa Aranha (“Dona Iaiá”), que ali residiu até o final da década de 1930.  Em 1935, a filha do barão de Itapura alugou o edifício para a Arquidiocese de Campinas, passando o solar a ser habitado pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, enquanto Isolethe Augusta e sua família passaram a viver numa casa na Avenida Francisco Glycério vizinha ao casarão. Em 1941, o Palácio Itapura passou a abrigar a Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, um dos braços das Faculdades Campineiras e embrião da PUC. Apenas em 1952 o edifício é definitivamente transferido para a Arquidiocese de Campinas por meio de uma venda, com valor simbólico feita pela proprietária, sendo feita em virtude de uma promessa feita a Nossa Senhora Aparecida. No palácio, foi instalada a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em 1955, tombado pelo CONDEPHAAT em 1983 e pelo CONDEPACC, em 1988, bem como pelo Iphan. O Pátio dos Leões do solar foi o local onde a Universidade nasceu.

    Outra propriedade do Barão de Itapura, já na propriedade de sua filha, Isolethe Augusta de Sousa Aranha, um terreno de vinte mil metros quadrados situado no bairro Guanabara, foi cedido por sua filha com permissão de uso gratuito ao Guarani Futebol Clube, onde foi o primeiro espaço próprio deste clube de futebol, na época era chamado “Estádio Pastinho”.

    Isolethe Augusta, foi tia de um dos pioneiros do clube, Egydio de Sousa Aranha. Egydio, teve papel importantíssimo na história do Guarani, pois conseguiu convencer a tia a vender o terreno, de cerca de 20 mil metros quadrados, a um preço irrisório de 900 réis o metro.

    Títulos e homenagens

    Joaquim Polycarpo Aranha foi Comendador da Imperial Ordem da Rosa e Capitão da Guarda Nacional. Recebeu o título de Barão, concedido aos 19 de janeiro de 1883, por D. Pedro II. Sua mulher, Libânia Leopoldina Trindade de Sousa Aranha, não recebeu o baronato, tendo sido baronesa consorte de Itapura.

    Homenageado com o logradouro Avenida Barão de Itapura, sua mulher com o rua Dona Libânia e sua filha com o Tua Isolethe Augusta de Sousa Aranha.  

  • A Avenida Barão de Itapura tem início no final do século XIX, com a necessidade de se criar uma via que ligasse o Bairro Botafogo ao Guanabara, passando por importantes pontos como o Instituto Agronômico  e o Liceu de Artes e Ofício. Uma curiosidade na história da via é que, inicialmente, ela receberia o nome de Boulevard Barão de Itapura, em referência às avenidas de Paris, que eram largas e arborizadas. A presença das árvores, porém, só aconteceu em 1913, por meio da doação das mudas pelo Instituto Agronômico. Por isso, o nome escolhido foi aquele que ela leva até hoje: Avenida Barão de Itapura.
  •  A Barão de Itapura era, ainda, palco de grandes eventos. Diferente do que acontece atualmente, os desfiles de Sete de Setembro, em comemoração ao Dia da Independência, eram realizados nesta via e não na Av. Francisco Glycério.Também durante as décadas de 50, 60 e 70, a Avenida atraía grande público com a Corrida de “Baratinhas”, termo usado para nomear os carros de corrida da época. As disputas estavam entre os eventos mais esperados pela população local na época. Entre esses eventos, aquele que mais marcou história aconteceu em 1968. A rainha do Reino Unido, Elizabeth II, esteve no Brasil e, durante a visita, passou por Campinas. Um de seus compromissos era no Instituto Agronômico da cidade, localizado na Barão de Itapura. O acontecimento atraiu um grande número de curiosos.
    • CEGO PELA CATARATA, NOS ÚLTIMOS ANOS DE VIDA, FALECEU AOS 93 ANOS, EM UM DIA DE FOLIA DE REIS, 6 DE JANEIRO DE 1902. O ENTERRO FOI A CONSAGRAÇÃO DE SUA VIDA EXEMPLAR. O ATESTADO DE ÓBITO TRAZIA O SEGUINTE: ” AOS 07  DE JANEIRO DE 1902, ENCOMENDEI O CADÁVER DO BARÃO DE ITAPURA, DE 93 ANOS, CASADO COM DONA LIBÂNIA ARANHA.

   PADRE MANOEL RIBAS D’AVILA. CAMPINAS, PARÓQUIA SANTA CRUZ. LIVRO DE ÓBITO 3.

 

Referências

  • PUPO, Celso Maria de Mello. Campinas, Município do Império, São Paulo, Editora Impoe, 1983
  • BROTERO, Frederico de Barros. Queirozes – Monteiro de Barros (Ramo Paulista) – 1937
  • CUNHA BUENO, Antônio Henrique da. Dicionário das famílias brasileiras
  • BARATA, Carlos Eduardo. “Genealogia”
  • MARTINS, Ana Luiza. História do Café – Editora Contexto, 2008
  • PIRES, Mario Jorge: Sobrados e Barões da Velha São Paulo, Editora Manole – 2006
  • ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins: Nobreza de Portugal e do Brasil, volume III, Editorial Enciclopedia Ltda., Lisboa – 1961, pág. 628

     

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2 comentários em “Barão de Itapura

  • A fazenda São José do Atibaia pertencia a meu trisavô Américo Ferreira de Camargo, falecido em 1848. Posteriormente à sua morte, a fazenda foi vendida a José Francisco Aranha Barreto de Camargo que a incorporou ao seu latifúndio, Engenho Atibaia e/ou Fazenda Atibaia. Posteriormente, essa fazenda São José do Atibaia foi vendida a Sylvio Maia e herdada depois de sua morte por seu sobrinho Geraldo Maia. Hoje a fazenda pertence a um grupo de empresários e teve sua sede remodelada.

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