Catedral Metropolitana de Campinas

Publicado 16/06/2014 por lcs2308

Foi inaugurada em 08 de dezembro de 1883, localiza-se na Praça José Bonifácio(Largo da Catedral). É dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

A vida religiosa católica de Campinas se iniciou oficialmente em 1739, quando foi fundado, por Barreto Leme, o bairro de Mato Grosso à beira do caminho dos Goiases. Para assistir à missa, os moradores se deslocavam, anteriormente, para a paróquia de Jundiaí.

 

Catedral (3)

Na década de 80.

 

Catedral(projeto)

Projeto

 

 

Catedral

Insira uma legenda

 

Catedral_%2013_%20Maio

Desfile

 

 

33 anos depois, já havia 360 moradores no povoado e estes encaminharam uma petição ao vigário capitular do bispado de São Paulo, pleiteando a construção de uma capela. Apesar de a petição ter sido impugnada pelo vigário de Jundiaí, os moradores erigiram a primeira capela, construída em taipa e coberta de telhas, a “matriz velha” (hoje, após várias reformas, a Basílica de Nossa Senhora do Carmo).

 

Catedral, em 1945.

 

Catedral, em 1952. Acervo Ana Tereza Moretti

1953

 

Catedral, em 1952

 

Com mudanças na direção da diocese de São Paulo, em 1774, foi nomeado o primeiro vigário da nova paróquia, que mandou construir uma capela de taipa, coberta de sapé, onde hoje se localiza o monumento-túmulo de Carlos Gomes, dedicando-a a Nossa Senhora da Conceição. Desta maneira, em 14 de julho de 1774, foi inaugurada a paróquia da Conceição na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso de Jundiaí, com missa cantada, levantamento da pia batismal e benzimento da matriz provisória. A freguesia foi elevada à categoria de vila em 1797 e teve seu nome mudado para Villa de São Carlos.

Em 1807, a câmara da vila determinou o início da construção de uma nova igreja, sendo os imensos alicerces, típicos da construção em taipa de pilão, construídos pelos escravos e abençoados pelo vigário. O primeiro administrador das obras foi Felipe Teixeira Néri. Durante 38 anos, as taipas foram sendo piladas, financiadas por contribuições, loterias e até um novo imposto provincial, a Lei Provincial nº 3, de 9 de março de 1854. A luta pela independência, a Revolução Liberal de 1842 e outros fatores contribuíram para a lentidão das obras e as taipas só foram concluídas em 1845, podendo a capela-mor, a sacristia e a nave central ser cobertas naquele ano. Em 1847, devido à visita de D. Pedro II – que havia elevado a Villa de São Carlos à condição de cidade, com o nome de Campinas, em 1842 – a Igreja N. Sra. do Rosário é tornada Matriz Provisória, pois a Matriz Nova ainda não tinha condições de uso e a Matriz Velha jazia abandonada e decrépita.

“Nem bem as taipas da Matriz Nova ficaram prontas, as autoridades locais receberam o aviso de que Campinas constava no itinerário da excursão que o imperador D. Pedro II faria à província de São Paulo. Os campineiros entraram em pânico. O protocolo exigia uma visita do imperador à matriz local. Mas que matriz? A solução foi a instalação provisória da Matriz da Conceição na Igreja N. Sra. do Rosário, edificada em 1817 e ainda não concluída. O templo foi rebocado e caiado às pressas e virou Matriz para receber a comitiva imperial, que, por sinal, atrasou dois meses. A Matriz da Conceição ficou ainda por alguns anos na Igreja N. Sra. do Rosário, até a conclusão da Matriz Nova, que só aconteceria 60 anos depois, em 8 de dezembro de 1883, data dedicada à padroeira.”

 

Em 1848, assumiu a condução das obras Antônio Carlos Sampaio Peixoto. Foi o capitalista português, Antônio Francisco Guimarães, conhecido pelo apelido de “Bahia”, onde passarás as límpidas estações mocidade, revendo fartos e suntuosos templos na Bahia, que no ano de 1853 pagou as despesas de viagem e trouxe da Bahia um grupo de entalhadores, comandados por Vitoriano dos Anjos Figueiroa e mais três oficiais, para se encarregarem da ornamentação interna da “Matriz Nova” de Nossa Senhora da Conceição.

Já aqui, Vitoriano era tratado por “professor de entalhe“. Valendo-se desta prerrogativa, formou aqui um corpo de aprendizes, dos quais podemos citar, Antônio Dias Leite, José Antunes de Assumpção e Laudíssimo Augusto Melo, que era deficiente auditivo e tido pelos contemporâneos como muito habilidoso.

Vitoriano , foi o responsável pelos entalhes do altar-mor, das tribunas, dos púlpitos, da varanda do coro e até mesmo pela condução das obras até 1862, quando foi dispensado pelo novo administrador, Antônio Carlos de Sampaio Peixoto, o “Sampainho”.   Sampainho, auxiliado pelos arquitetos Job Justino de Alcântara, Antônio de Pádua Castro e o  Bittencourt da Silva, em 1862, organizou um novo grupo de entalhadores, chefiados por Bernardino de Sena Reis e Almeida, que era fluminense. Concluiu-se a ornamentação da nave central e em 1865 os dois altares dos cantos e os quatro laterais, bem como as capelas, tudo em cedro, abundante nas matas ao redor da cidade.

 

Convívio(Catedral)

Os sinos começaram a ser instalados em 1870:

 

“Todos os dias, em intervalos de 15, 30 e 60 minutos, os sinos da Catedral Metropolitana, anunciam o correr do tempo. Todos eles têm nomes. O mais antigo é o Bahia. Com suas três toneladas de aço, chegou ao topo da Catedral em 1870, conduzido por cordas e dezenas de homens, numa luta coordenada por Antônio Francisco Guimarães, o Baía, o homem que doou aquele que seria o mais ilustre sino da cidade, batizado com o apelido do doador.(…)Bahia, português, residente em Campinas, desde 1819 e integrante da Irmandade do Santíssimo Sacramento, havia feito a doação do sino em 1847, mas como a Matriz Nova não estava pronta, ele ficara instalado na Matriz Velha. A vinda para a Matriz Nova fora feita sob uma condição, exigência da Irmandade: o sino só seria badalado em procissão de Corpus Christi, saídas do Santíssimo e enterro de irmão. Resultado: o sino Baía ficou silencioso durante 13 anos, até a inauguração da Catedral, em 1883. (…) Os sinos da Catedral badalam todos os dias do ano, desde 1883. Acionados pelo mecanismo do relógio fabricado em 1880, eles, agora, só badalam durante o dia. Os moradores da região central da cidade pediram silêncio à noite. Mas a partir das 6h eles sinalizam que o dia está começando.3

 

Após a conclusão do interior, teve início o processo de construção da fachada, havendo cinco mudanças de projeto: o primeiro tinha características barrocas com duas torres (e, neste sentido, seria perfeitamente integrado ao estilo adotado no interior do templo), do Dr. Bittencourt, mas não pode ser executado pois não havia cantaria disponível na região, sendo adaptado por José Maria Cantarino; o segundo, neoclássico, de Charles Romieu, previa uma única torre assentada sobre quatro colunas de pedra, cal e tijolos, mas foi suspenso devido aos acidentes ocorridos na construção (1865) que levaram ao soterramento de quatro funcionários e uma criança; o terceiro, escolhido como resultado de um concurso público, de José Maria Villaronga (Villaronga, Faria & Cia), previa uma fachada neogótica (1871) mas houve desentendimentos entre os administradores e não chegou sequer a ser iniciado; em 1876 foi contratado o engenheiro italiano Christovam Bonini, para mudanças na planta e conclusão da obra, mas foi exonerado pela Câmara em 1879, havendo o quinto projeto, o qual recuperou o estilo neoclássico e foi implementado pelo campineiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1880). Este último, foi o responsável geral pela conclusão das obras e dotou o templo inclusive de canos embutidos para a iluminação a gás, uma novidade na época.

Convívio

 

Em 1882, estavam concluídos os seguintes trabalhos:

  • Estuque e ornamentação da Nave Central.
  • Instalação dos tubos de gás para iluminação.
  • Montagem de uma das grandes escadas internas, a do lado norte.
  • Instaladas as portas do paravento e algumas do interior. Capela Mor.
  • Reconstrução da fachada posterior.

Em 1883, a Catedral recebeu novas ornamentações na fachada durante a grande reforma de 1923 (como os medalhões com as datas comemorativas da diocese, as guirlandas e as estátuas dos quatro evangelistas e dos quatro anjos do apocalipse), quando também as telhas coloniais foram trocadas por francesas e a abóbada sobre o altar-mor foi levantada alguns metros, ficando na mesma altura do restante da igreja. Foi também nesta época que o zimbório foi trocado por uma cúpula em gomos, encimada pela imagem de Nossa Senhora.

Em 1923,  foi concluída a primeira grande reforma conduzida pelo Eng. Abelardo Caiubí. Foram realizados os seguintes trabalhos:

  • Levantamento das paredes da capela mor;
  • Nivelamento do forro da Capela Mor com o da nave central;
  • Modificação da fachada posterior;
  • Construção da nova cúpula e colocação da imagem de N. Sr.ª das Graças;
  • Substituição dos telhados;
  • Colocação dos quatro Anjos do Juízo Final no terraço;
  • Medalhões com as datas comemorativas na fachada;
  • Construção da cripta;
  • Colocação do Cristo Redentor sobre o altar mor;
  • Paredes rebocadas de novo;
  • Substituição de parte dos forros e das escadas da torre;
  • Colocação de vitrais no paravento, na Capela do S. Sacramento e na nova cúpula.

D. Paulo de Tarso Campos, terceiro Bispo, em 1954, toma a iniciativa de realizar mais uma reforma na Catedral. Nesta ocasião foram executados os seguintes trabalhos pelo Eng. Dr. Lix da Cunha:

  • Restauração das paredes internas.
  • Fechamento do terraço do relógio.
  • Telhados remodelados.
  • Troca da caixilharia externa

Os irmãos Victor e Aldo Polsak realizam, em 1982, a substituição dos forros da Capela Mor e do Transcepto.

Informações adicionais

A igreja começou a ser construída em 1807. Sua construção durou mais de seis décadas, com alguns acidentes fatais. A técnica da construção é a da taipa de pilão. O seu interior, em estilo barroco baiano (sem douração) conta com um requintado trabalho de talha de madeira, realizado pelos entalhadores Vitoriano dos Anjos Figueiroa e Bernardino de Senna Reis e Almeida. No projeto como um todo, inclusas as fachadas em estilo neoclássico, houve a participação de vários arquitetos, dentre os quais Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que concluiu as obras. A Catedral  é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC). O edifício é tido como o maior no mundo construído em taipa de pilão, com seus 4.000 m², e também um dos mais altos.

 

“A nova igreja, que demoraria 76 anos para ser construída, viria a ser a Catedral Metropolitana de Campinas, o maior edifício em taipa de pilão – cascalho e saibro socados – do mundo e que passa por intenso trabalho de restauro, a maior parte feita sob a rubrica de “questões emergenciais de conservação e segurança da edificação e dos usuários”. O prédio, de quatro mil metros quadrados de área construída por mão-de-obra escrava e que recebe diariamente três mil pessoas, está sendo recuperado de um longo processo de degradação que lhe comprometeu, entre outras áreas, os telhados e grande parte do forro, todo em pinho de riga.”

 

Catedral – 1880:

Imagem

 

Catedral – 1883

Imagem

Catedral – 1890:Imagem

 

Catedral – 1930: Imagem

Catedral – 1950. Acervo PMC

 

Imagem

 

Catedral – 1953. Acervo Gilberto de Biasi: Imagem

 

 

Catedral – 1979. Acervo Walter José Cintra Jr.: Imagem

Catedral – anos 40: Imagem

Catedral – década 1920: Imagem

Catedral – década de 50. Acervo PMC:Imagem

Catedral – década de 60:

Imagem

Catedral – década de 70:Imagem

 

Catedral – década de 1950. Acervo Gilberto de Biasi:

Imagem

 

Catedral 1º Congresso Eucarístico Internacional – 1942.:Imagem

 

Imagem

Catedral – década de 1980: Imagem

 

Interior:

 

Imagem

 

Imagem

 

Imagem

 

Catedral enfeitada para as comemorações de Corpus Christi, datada de 1935.Imagem

 

Catedral enfeitada para as comemorações do dia da Padroeira, dezembro 1931.Imagem

 

Imagem

 

1952:

Imagem

 

Catedral, em 1976. Acervo Edmo Goulart.Imagem

 

Catedral, em 1990

 

Imagem

 

Anos 70. Acervo Francisco de Almeida Lopes:Imagem

 

Convívio/Calçadão: Imagem

 

Convívio – década 1980: Imagem

 

 

Rua Treze de Maio, em 1958 – doação Dr. Hélio Ferraz Almeida Camargo

Rua Treze de Maio, em 1958 - doação Dr. Hélio Ferraz Almeida Camargo

 

Rua Treze de Maio - 1898-99

 

Rua Treze de Maio, década de 50,

 

Rua Conceição – 1950:

Rua Conceição, em 1950

 

Rua Conceição

 

 

532670_309908989139308_1033630377_n

Insira uma legenda

 

Rua Treze de Maio

Insira uma legenda

 

Rua Treze de Maio, em 1935

Insira uma legenda

 

Rua Conceição, em 1913

Insira uma legenda

 

Catedral. Foto: Gilberto de Biasi.

Catedral. Foto: Gilberto de Biasi.

Anúncios

Um comentário em “Catedral Metropolitana de Campinas

  • Deixe um comentário

    Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

    Logotipo do WordPress.com

    Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

    Imagem do Twitter

    Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

    Foto do Facebook

    Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

    Foto do Google+

    Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

    Conectando a %s

    %d blogueiros gostam disto: