Torre do Castelo

Localizada na Praça Vinte Três de outubro, a torre do bairro Chapadão, ganhou outra denominação pelos campineiros e passou a ser conhecida como “Torre do Castelo”. Ela possui 27 metros de altura é o único da cidade a ser planejado para servir como rotatória; a obra surgiu como parte do Plano de Melhoramentos Urbanos de Campinas, executado entre o final da década de 30 e o início da década de 50, pelo urbanista Prestes Maia.

Neste período, coincidentemente, o DAE (“Departamento de Água e Esgoto” da época), previa a expansão da cidade naquela direção e escolheu o mesmo ponto para fazer um reservatório de águas. Percebendo este momento, Prestes Maia teve uma ótima ideia e planejou algo que pudesse atender a diversas funções: além de criar um mirante paisagístico (do alto da torre é possível observar boa parte da área urbana de Campinas), constituiu um marco arquitetônico, que tinha como utilidades práticas, o reservatório e a rotatória.

A construção da caixa d’água foi um marco tão grande para a época que aquela área, antes pertencente ao Jardim Chapadão, transformou-se oficialmente no bairro do Castelo, tanto que um dos antigos bondes da cidade que saía do Centro da cidade junto à Igreja do Carmo na Rua Sacramento tinha a denominação Castelo. Com três reformas em sua história (1972, 1991 e 1998), o marco arquitetônico adquiriu em sua última revitalização a aparência atual.

 Pode ser visto em cada uma das “janelas” do mirante da Torre:

(*) NORTE/NOROESTE – Uma malha consolidada

Para além da “janela” norte/noroeste, os prédios nos impedem de ver uma malha urbana consolidada originada do bairro do Taquaral. Na trajetória de formação desta região, a urbanização seguiu os trilhos das Companhias Mogiana e Funilense e fez nascer, no final do século XIX, os bairros do Guanabara, Bonfim e Botafogo, ou ainda, o núcleo de Barão Geraldo (hoje distrito) em território mais distante. Com as transformações trazidas pela crise cafeeira, a antiga Fazenda Chapadão deu lugar a novos loteamentos que, entre as décadas de 1930 e 1950, originaram os bairros do Chapadão, os Jardins Guanabara, Nossa Senhora Auxiliadora, IV Centenário e Brasil, Vila Nova, Santa Cruz, entre outros. Com a implantação da Unicamp na década de 1960 e da PUC-Campinas (Campus I) nos anos 1980, a região ganhou ainda maior potencial de desenvolvimento, passando a contar os distritos de Barão Geraldo.

NOROESTE/OESTE – Uma nova Cidade em formação

Ao deslizarmos os nossos olhos para a próxima “janela” voltada para a direção oeste de Campinas, podemos avistar na paisagem uma malha urbana que, na verdade, carrega as marcas de uma nova cidade em formação. A região noroeste/oeste constitui-se no desdobramento de outro processo de expansão urbana, iniciado na década de 1940, a partir da região sul da cidade. Foi com a instalação de um novo parque produtivo composto por fábricas, agroindústrias e estabelecimentos nas proximidades das grandes rodovias Anhangüera (1948) e Bandeirantes (1979), o que estimulou a formação de um novo polo de desenvolvimento econômico na região oeste de Campinas. Esta área passou a receber inúmeros habitantes que migravam para Campinas atraídos por uma maior diversificação produtiva. Os novos bairros, originalmente formados sem auxílio de infraestrutura, conquistaram maior urbanização entre as décadas de 1950 a 1990. A região noroeste, propriamente dita, foi formada entre as décadas de 1960 a 90; e, hoje, apresenta os bairros de Nova Aparecida e Padre Anchieta como destaques.

OESTE/SUDOESTE – Uma região em formação

Da “janela” oeste/sudoeste, podemos observar uma malha urbana que ainda se encontra em formação, localizada entre as rodovias dos Bandeirantes e Anhangüera. Remanescente de uma região de antigas olarias, pastagem e agricultura, esta porção da cidade já abriga os bairros do Campo Grande e Itajaí, configurando-se rapidamente uma nova região de moradia e serviços na porção oeste do município. A região sudoeste, por sua vez, é a que concentra os maiores índices de ocupação e crescimento urbano, estendendo-se os bairros para além das Rodovias Bandeirantes e Santos Dumont.

SUDOESTE/SUL – O mais intenso crescimento

Da “janela” voltada para a região sudoeste de Campinas, avistamos uma malha urbana que se perde no infinito. Por outro lado, podemos avistar, na porção sul, o Complexo Ferroviário de Campinas: um conjunto de edifícios e instalações criado na década de 1870 para abrigar as Companhias Férreas Paulista (1872) e Mogiana (1875); esta malha e o complexo encontram-se articulados. Foi com a instalação das Ferrovias que a economia cafeeira ganhou maior intensidade e diversificação regional, instalando-se nas proximidades da “Estação da Paulista” (Estação Cultura), um amplo conjunto de edificações e instituições comerciais, educacionais, fabris e de saúde (como a Fundição Lidgerwood/”Museu da Cidade”).

Nas últimas décadas do século XIX, a região recebeu também o primeiro bairro de trabalhadores de Campinas (a Vila Industrial), além do matadouro, curtumes, asilos, hospital de isolamento e o Cemitério do “Fundão” (Saudade). Já nas primeiras décadas do século XX, a região sul ganhou novo desenvolvimento, instalando-se, a partir das décadas de 1930/1940, um novo parque de indústrias, serviços e moradias que seguiu pela direção oeste da cidade. Os bairros Parque Industrial e São Bernardo inauguraram o novo período de crescimento, e a partir deles, multiplicaram-se os loteamentos da região sul e sudoeste. Hoje os bairros Ouro Verde, Vila União e Campo Grande destacam-se nesta região.

SUL/SUDESTE – Um centro verticalizado

Através da “janela” sul/sudeste, nós podemos enxergar o “centro velho” de Campinas, área em que nasceu a cidade (um território tomado por prédios e se constitui na área mais verticalizada do município). Os marcos mais antigos da malha urbana estão nesta região (entre as avenidas Moraes Sales, Andrade Neves e Barão de Itapura e a Rua Coronel Quirino), reunindo-se em seu interior pistas do centenário pouso “das Campinas Velhas” (nas imediações do Estádio do Guarani) e do “bairro de Santa Cruz” (no largo do mesmo nome) nas margens da “Estrada dos Goiases”; os primeiros arruamentos da Freguesia (1774) e depois da Vila de São Carlos (1797) nas proximidades da Praça Bento Quirino (“marco zero” da Vila); ou ainda, o conjunto de ruas e edificações formado no século XIX entre a Catedral Metropolitana e a atual Estação Cultura (antiga Estação da Paulista e depois Fepasa). O adensamento e a verticalização da malha central se intensificaram na década de 1950 com a procura de terrenos mais valorizados e com melhor infraestrutura urbana. Seguiram-se demolições que descaracterizaram a área. Hoje, a região central ainda concentra as principais atividades do comércio, serviços de alto valor agregado e equipamentos públicos, preservando seu papel de centro econômico, institucional e de serviços de Campinas.

LESTE/NORDESTE – As tradições de Campinas

A partir da malha central, a cidade se expandiu pelas regiões norte, leste e sul, originando-se nas últimas décadas do século XIX os primeiros bairros nos arrabaldes da cidade. Na região leste formou-se o Cambuí, o Frontão e o Taquaral. Através da “janela” leste, podemos identificar o Cambuí e o Taquaral, e aos fundos, os distritos de Sousas e Joaquim Egídio; distritos que também se originaram no século XIX e que ainda se caracterizam pelas tradições, por edificações urbanas e rurais do período cafeeiro e pelas paisagens naturais integradas à Área de Proteção Ambiental (APA) da cidade. Estes bairros se formaram no período cafeeiro impulsionados pelo complexo do café e pela passagem dos trilhos da Companhia Férrea Campineira, reunindo-se em seu interior várias chácaras, estábulos e unidades de abastecimento necessários à cidade em crescimento. Com o passar das décadas (entre os anos 1930 e 1960), a região deu lugar ainda a uma nova área de urbanização (entre o Taquaral e o Cambuí) composta pelos Jardins Bela Vista, Flamboyant e Boa Esperança, Chácara da Barra, Parque Brasília, ou ainda, por bairros orientados pela Rodovia Heitor Penteado (em direção aos Distritos de Sousas e Joaquim Egídio) onde se encontra o “Parque Ecológico”.

(*) Fonte Complementar: Site da Prefeitura de Campinas

Autor: Priscila Nascimento

Torre do Castelo,  década de 1980. Acervo Alexandre Fonseca Jorge
Torre do Castelo, década de 1980. Acervo Alexandre Fonseca Jorge
Vista parcial, 1952. Foto De Biasi.
Vista parcial, 1952. Foto De Biasi.
Soldados da Turma de 1948. Acervo de Edson Montgomery.
Soldados da Turma de 1948. Acervo de Edson Montgomery.
Torre do Castelo, mapa de 1941.
Torre do Castelo, mapa de 1941.
Torre do Castelo.
Torre do Castelo.
Bonde no bairro Castelo, em 1952. Foto Gilberto De Biasi.
Bonde no bairro Castelo, em 1952. Foto Gilberto De Biasi.
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4 comentários em “Torre do Castelo”

  1. Não me lembro bem em que ano foi pois eu era ainda uma criança , mas me lembro bem que na própria torre do Castelo teve uma sorveteria, por muitas vezes fui tomar sorvete lá !!!!!!
    Mas acho que deveriam pesquisar e acrescentar isso. Tempo bom esse, tinha muitas árvores e bancos Tbm

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  2. Gostaria de ter uma história completa sobre a Fazenda Chapadão,que pertenceu aos meus antepassados!Seria possivel me enviarem para que eu possa imprimir e colocar em meus arquivos!?

    Curtido por 1 pessoa

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