Antônio Álvares Lobo

Antônio Álvares Lobo, nasceu em 15 de junho de 1860, em Itu. Filho do maestro Elias Álvares Lobo e de dona Elisa Euphrosina da Costa Lobo.     Na época, Itu contava com cerca de 10 mil habitantes, sendo que mais de 4 mil eram escravos. Antônio, estava com 13 anos, quando os republicanos organizaram, em sua cidade natal, a I Convenção Provincial Republicana. O evento marcou a fundação do Partido Republicano Paulista e influenciou o adolescente, que, mais tarde, se engajou na luta abolicionista. Antonio Álvares Lobo

Antônio e família.
Antônio e família.

 Em 1879, o jovem Álvares Lobo, matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Assim que se formou, em novembro de 1884, começou a advogar em nesta, ao lado de importantes nomes da história da cidade como Francisco Glycério. Da convivência e trabalho em conjunto com FRANCISCO GLYCÉRIO, nasceu sincera e duradoura amizade, que se revela no discurso que ANTONIO pronunciou em sua memória no dia 15 de agosto de 1916, no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, onde relata haver recebido em 1890 carta de GLYCÉRIO dando-lhe notícias de débitos que tinha por haver cessado suas atividades profissionais desde o advento da República, havendo assumido o Ministério da Agricultura, instruindo-o para utilizar os honorários a serem recebidos para pagamento das dívidas que nomeou.

 No mesmo discurso relata ainda que, havendo chegado ao conhecimento de um grupo de amigos e admiradores de Glicério que tinha ele um terreno em Campinas, de uma quadra inteira, em frente ao Largo de S. Benedito, gravado por hipoteca , esse grupo propunha resgatar o ônus real, pagando a dívida que garantia e construir, no terreno, um palacete para a sua familia. Relata ANTONIO, em sua oração, que lhe respondeu GLYCÉRIO:

‘que não acceitasse o offerecimento, porque a opinião popular não acreditaria nesse rasgo de amizade, e todos diriam, que elle, ministro, tendo feito concessões valiosas aos doadores, para servir aos interesses da Nação, recebia em troca essa dadiva de riqueza ou, antes, o ministro seria tido e havido como sócio dos concessionarios, desnaturando-se o objeto das concessões e o fim dellas que era o de crear a prosperidade do Estado com o incremento da producção e a regularidade facil do transporte das mercadorias“ .

 Idealista e lutador, Álvares Lobo participou ativamente da campanha abolicionista, opondo-se aos escravocratas. Por conta disso, recebeu um ultimato para deixar Campinas, sob pena de ser expulso à força. O caso acabou sendo levado à discussão na Assembléia Provincial de São Paulo. Na época da Proclamação da República, Antonio era o presidente do Clube Republicano. Com o novo regime, constituiu-se, em janeiro de 1890, o primeiro conselho de intendentes de Campinas. Coube a ele a presidência da Intendência e, consequentemente, a chefia do Executivo.

Em 1894, na renovação da Câmara Municipal, foi designado para a função de intendente de higiene e, mais tarde, de intendente geral. Nessa época, uma epidemia de febre amarela assolou Campinas, quando demonstrou empenho e energia no exercício do posto, enfrentando a resistência popular em cumprir suas rigorosas prescrições de higiene para debelar a doença.

Com grande prestígio no Partido Republicano, foi eleito vereador em três triênios. Em 1902, foi eleito deputado no Congresso Paulista, onde fez parte da Comissão de Revisão Constitucional e compôs a Comissão de Justiça e de Finanças. Em 1911, presidiu à Câmara Municipal de Campinas. Durante dez anos – de 1901 a 1911 – foi fiscal do Governo Federal junto ao Colégio Culto à Ciência. Em 1915, elegeu-se presidente da Câmara de Deputados, ocupando o cargo até a presidência de Carlos de Campos(filho de Bernardino de Campos).

Havendo adquirido em 1901 o jornal “A Cidade de Campinas”, fundado por ALBERTO FARIA em 1986 (este viria a ser eleito à Academia Brasileira de Letras), nele ocupando o posto de Redator-Secretário, juntamente com seu irmão ELIAS JR. (diretor administrativo e comercial), PAULO LOBO (Redator-Chefe), somente não pertencendo à família Lobo o Secretário JOSÉ VILLAGEN, tendo colaboradores de porte como Basílio de Magalhães, Benedito  Otávio, Freitas Guimarães, Bueno Monteiro, Argermiro Acaiaba e João Vieira de Almeida.  

Pelágio Lobo, Antônio, ? e Nardy Filho, em 1909
Pelágio Lobo, Antônio, ? e Nardy Filho, em 1909

Aliás, o jornalismo em Campinas tinha já tradição, alimentada pela existência de inúmeros jornais como a “Aurora Campineira” (1850), “O Conservador” (1860) , “A Gazeta de Campinas” (1869), “ A Mocidade” (1874), “Atualidade” (1875), “O Constitucional” (1875), “Opinião Liberal” (1881) , “Diário de Campinas” (que em 1885 veio suceder aos “A Mocidade” e “Atualidade”, dedicados muitos deles aos debates políticos que travavam em todo o país e em especial na província de São Paulo.

Orador eloquente, com domínio amplo do vernáculo, versado ainda em francês, inglês, latim, grego e alemão.

  Partícipe ativo no equacionamento e solução dos problemas de Campinas, filantropo e benemérito, ANTÔNIO ALVARES LOBO tomou parte na fundação, manutenção e direção de inúmeros estabelecimentos de serviços e caridade de Campinas, seja como integrante de conselhos, seja como presidente: Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Campinas, da Maternidade de Campinas, do Instituto Profissional Bento Quirino, da Federação Paulista dos Homens de Cor, do Centro de Ciências Letras e Artes, da Sociedade de São Vicente de Paula, da Associação Agrícola de Educação e Assistência e da Adoração Noturna e de tantos outros.

Foi em 11 de novembro de 1932, que Antônio Lobo inscreveu-se na Ordem dos Advogados sob o número 976 e, tão logo, instituído o Conselho Federal, em março do ano seguinte, Álvares Lobo assumiu a presidência da primeira diretoria da 3ª Subsecção, ao lado de Lúcio Pereira Peixoto, como vice-presidente, Paulo Pupo Nogueira e Ernesto Kuhlmann – primeiro e segundo secretários respectivamente – e o tesoureiro João Alves dos Santos.

Casou-se em 17.04.1887 com Dna. Guilhermina de Freitas, falecida em 19.11.1951. Deste matrimônio nasceu:  Pelágio Lobo, advogado, casado com Arinda Freitas; Elisa Lobo de Moraes, casada com Antão de Sousa Moraes; Azael, casado com Maura Westin de Vasconcellos; Sarah, casada com Humberto Netto; Anna Esméria Leite de Barros, casada com Arthur Leite de Barros; Ruth e Guilhermina(Menininha).

No dia 17.04.1934 completaria suas bodas de ouro.  Pela manhã daquele dia, em que teria a presença de sete de seus nove filhos, pois dois filhos já haviam falecido, começaram a chegar os presentes, as flores e as congratulações pela data. No entanto, pela manhã às 10:00 hs sentiu-se mal e nem sequer pode ir a missa que se celebraria pelos 50 anos de casamento. Logo em seguida, faleceu aos  74 anos de idade.

 antonio_lobo

Diretoria do grêmio do Clube Semanal da Cultura Artística.
Diretoria do grêmio do Clube Semanal da Cultura Artística.
Receita enviada pelo seu pai, maestro Elias Álvares Lobo para o Almanaque de S. Paulo, mostra a contribuição dos campineiros não só na música e na cultura, mas também na arte da culinária.
Receita enviada pelo seu pai, maestro Elias Álvares Lobo para o Almanaque de S. Paulo, mostra a contribuição dos campineiros não só na música e na cultura, mas também na arte da culinária.
Geninha Penteado de Camargo, Dr. Roberto Rocha Brito, Yolanda Cardoso de Almeida Crissiuma e Giovanna Maria Vellutini Lobo de Moraes.
Geninha Penteado de Camargo, Dr. Roberto Rocha Brito, Yolanda Cardoso de Almeida Crissiuma e Giovanna Maria Vellutini Lobo de Moraes. Acervo “Maria Luiza Silveira Pinto de Moura – Thiago Roberto Francisco de Menezes”.
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