Irmã Carminha

Publicado 25/09/2014 por lcs2308

A Madre Carmem Catarina Bueno,  nasceu em Itu, no dia 25 de novembro de 1898, no dia em que comemora a festa de Santa Catarina de Alexandria. Filha José Theotônio Pereira Bueno, natural desta cidade e de Maria do Carmo Bauer Bueno, natural de Itu, filha de Adolpho Bauer e Francisca Eugênia Bauer.

    Da mãe herdou o caráter decidido, temperamento ardoroso. Do pai, a alma de artista.

Seus pais.

Seus pais.

 

Ao dar-lhe a luz, a jovem mãe esteve com a saúde abalada. “Nhá Cota”, apelido afetuoso dado a Maria Justina Camargo Bueno pediu para cuidar da recém-nascida em Campinas, como fizera com o filho adotivo, Theotônio.

 

Com a avó.

Com a avó.

 

   A 12 de fevereiro de 1899,  é batizada da Matriz Velha, pelo Pároco Pe. Manuel Ribas D’Ávila. Como padrinhos teve: Nhá Cota e seu esposo Capitão Francisco de Paula Bueno.

 

Com 2(dois) anos.

Com 2(dois) anos.

 

   Em Campinas,  continuou a morar com os avós, feliz porque muito querida. Em Itu, o lar de seus pais se enriquece com a chegada de outros irmãozinhos: Esther (1901), Francisco (1902), Zey (1904), Dácio (1906) e José (1909).

 Aos três anos a menina desaparece de casa e quando enfim a encontram, na Matriz Velha (hoje Basílica N. Sra. Carmo), de joelhos, no altar do Sagrado Coração de Jesus, lhe perguntam o que fazia ali; responde: – “Estou na ‘mixa’ do ‘Colação’ de Jesus!” Muitas outras vezes, ainda, repete a pequenina sua proeza.

 

Gostava de brincar com os companheirinhos, no Largo da Matriz, correndo a pedir a bênção de seu pároco, logo que o percebia. Um de seu amigos de infância viria a ser o Bispo de Taubaté, Dom Francisco Borja do Amaral.

 

Em uma de suas peripécias Carminha, com seu espírito de liderança, pega pela mão sua irmã Ester mais nova do que ela e vai sem ninguém saber ao fotógrafo e diz: ” Mamãe mandou fotografar nós duas”.

 

Com a irmã, Ester.

Com a irmã, Ester.

 

Em junho, meses após a dor de ter perdido seu papai Teotônio, no dia de São Luiz Gonzaga, 21 de junho de 1910, recebe pela primeira vez o beijo de Jesus Eucarístico.

 

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Primeira Eucaristia

 

Sua mãe viúva, casou-se em 03 de fevereiro de 1912, com José da Cruz Senna, de 59 anos, natural do Rio de Janeiro, filho de José da Cruz Senna e Maria Josephina de Nazareth.

 

Na terra carioca

Aos 15 anos, vai visitar a “mamãe moça” no Rio, que oito dias depois falece em consequência do nascimento de um filho, que a precede 24 horas no túmulo. O padrasto se vê só e com cinco enteados e solicita a presença de D. Maria Justina junto deles, que se estabelece na terra carioca junto a Carminha.

 

Idade dos sonhos

Em 1916,  vão se estabelecer na formosa Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, na Praia dos Frades. Carmem conhece um estudante de engenharia e gostam-se imensamente. E ficam noivos, mas este incentiva-a, a aprimorar os estudos e pede que vá para o colégio Sion, em São Paulo. Com o retorno de Nhá Cota para São Paulo, era a ocasião propicia para realizar a vontade do noivo.

 

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Sion

É feliz sua estadia no Colégio. Vai se tornar Filha de Maria, no dia 23 de setembro de 1917. Rompe, então, o noivado, escrevendo sincera e delicadamente para aquele que, indiretamente, lhe proporcionara tão grande graça. Fiel por natureza, rezará pelo moço até o fim de sua vida.

 

Carminha (à direita) e  amigas. A do meio  será fundadora das Irmãs  de Jesus Crucificado

Carminha (à direita) e
amigas. A do meio
será fundadora das Irmãs
de Jesus Crucificado

 

Sua mana Esther ao casar-se, em 1920, convida-a e à Nhá Cota para virem para o Rio. Aí frequenta a Capela Nossa Senhora do Carmo, futura Basílica de Santa Teresinha, na Rua Mariz e Barros, onde trabalham os Carmelitas Descalços da Província Romana. É a Divina Providência tudo dirigindo.

 

“Santinho” das promessas de Carminha
como carmelita secular (na época, ainda
se chamava “Terceira”).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1921: carmelita secular antes de ser monja

Transcrevo “ad literam” uma nota da época na antiga “Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus” (era assim que era chamada a Ordem Carmelita Descalça Secular na época antes do Concílio Vaticano II):

Maria do Carmo Bueno entrou para a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, logo após a fundação da referida Ordem em 1921, onde professou. Foi, portanto, uma das primeiras Irmãs Terceiras. Tomou o nome de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus. Teve como Priora a Irmã Teresa de Jesus, fundadora da Ordem Terceira, uma alma de escol que muito trabalhou na organização da citada Ordem.

Pouco tempo esteve a Irmã Benigna na Ordem Terceira, pois, Jesus a queria mais retirada do mundo. Durante o tempo em que permaneceu como Terceira a todos edificou pelas suas virtudes. Era simples, boa, delicada, piedosa, cumpridora dos deveres da Regra. Era também uma Irmã alegre, trazia sempre o sorriso estampado no rosto, sinal da pureza e da simplicidade que revestiam a sua alma. Por todos estes méritos chegou a ocupar o cargo de vice- Priora em fevereiro de 1925, edificando a todas as Irmãs pelo seu fino trato.

Como veremos a seguir, em Março de 1926, entrou para o Carmelo de São José, sob a orientação dos Padres Carmelitas Descalços, tornando-se assim uma Carmelita enclausurada para entregar-se melhor à vida de oração, de contemplação, de sacrifício.

Ótimo elemento perdeu a Ordem Terceira com a saída da querida irmã que no Carmelo trilhou o caminho da perfeição, da santidade, chegando a ocupar o alto cargo de Priora.

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, instalada na Basílica de Santa Teresinha, cidade do Rio de Janeiro, e da qual era membro a nossa biografada, sentiu muito a falta de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus, que jamais será esquecida pelas suas irmãs.

Futura carmelita

Nesta ocasião lê “História de uma Alma”, da futura Santa Teresinha. Toma a resolução de ser como Teresa de Lisieux: Carmelita.

1926            

É decidida sua entrada no Carmelo São José, no Rio, onde ingressa após a dolorosa separação de Nhá Cota. Fica ao lado dela, sua filha adotiva Emília Souza Aranha, que a leva para Ribeirão Preto (SP). Era o dia 21 de abril de 1926. Vestida de noiva, com o Menino Jesus de Praga nos braços, atravessa a porta do Mosteiro, então na sede provisória (Rua Abílio, 32).

Recebe o Santo Hábito em 24 de outubro de 1926, com nome religioso de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade. Apesar de ser feliz, teve suas lutas, dado o temperamento ardoroso e as saudades de Nhá Cota.

 

Irmã Maria do Carmo ainda de véu branco

Irmã Maria do Carmo ainda de véu branco

 

No dia de sua profissão temporária escreve em suas anotações: “Quero ser o Amém de Deus”. Em 1928 recebe a última visita de Nhá Cota, que no ano seguinte repousa no Senhor, em Ribeirão Preto.

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Exerceu o ofício de Mestra de noviças, sub-priora e finalmente de priora (a primeira após a Fundadora).

Com tudo isto não se esquece de dar atenção aos seus manos. Estes, especialmente sua mana Esther, a ajudaram no acabamento da construção do Mosteiro São José do Rio.

Alma profundamente humilde é de extrema delicadeza para com a Madre Fundadora (Madre Benedita de Jesus, Maria e José) e para com as filhas espirituais.

Suas lutas, por causa do temperamento vivo, prosseguem. Tudo faz com exuberância: daí objetos quebrados, derrubados e até um mergulho, de hábito e tudo, num tanque grande de água da pior espécie. Tudo serve para Carminha colocar os alicerces de sua santificação: a humildade, que se reconhece plena de limitações, mas que ousa desejar ser “perfeita como o Pai do Céu”. Para chegar a atingir sua meta, faz o voto de mansidão, a conselho de Dom Barreto, um de seus diretores espirituais.

 

 

Madre Carminha com seu irmão Zey e  cunhada.

Madre Carminha com seu irmão Zey e
cunhada.

 

 

Em 1949, volta a ser mestra de noviças. Sempre fora doente e doente cardíaca. O reumatismo deixa-a entravada, por vezes.

Em 1952, volta a dirigir o Carmelo e aí surge a ideia e a ocasião propícia para a fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII com a visita do “amigo” de infância – já Bispo de Taubaté – Dom Francisco Borja do Amaral. A fundação ocorre em 07 de setembro de 1955. Em 1957 é transladada a Comunidade, em procissão (até filmada). Madre Carminha trabalhava, sofria, rezava. Não lhe foram poupadas as provações. A tudo superava. Em 12 de setembro de 1961, Madre Maria do Carmo passa o governo da casa à Madre Antonieta Maria, ficando responsável pelo noviciado e pelo fim das obras.

Em julho de 1965 ouve o primeiro chamado de Deus, numa crise de angina pectoris e a 13 de julho de 1966 falece santamente, vítima de um derrame cerebral (que a acometeu no dia 07 precedente e a deixou em coma profundo). Deixou saudades imensas e logo, do céu, começou a ajudar as filhas e o povo que, a sua intercessão, recorriam humilde e confiantemente.

Havendo, por algum tempo, o projeto de transladar o mosteiro para a cidade de Mairinque (SP) foi necessário em 1974, a abertura do túmulo de Madre Maria do Carmo (que, em 1972, sendo aberto, constatou-se a conservação de seu corpo). Médicos da USP, chefiados por Dr. Mário Degni  fizeram o exame do corpo de Madre Carminha e deduziram se tratar de mumificação de cadáver, embora unhas e cabelos só pudessem ser arrancados com pinça.

Alguns de seus poemas:

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