A GINÁSTICA EM CAMPINAS: SUAS FORMAS DE EXPRESSÃO DA DÉCADA DE 20 A DÉCADA DE 70.

Publicado 04/11/2014 por lcs2308

Imagens e informações de Cristiane Montozo Fiorin e Alexander Denarelli.

Em Campinas, a presença dos alemães ajudou a moldar a cidade nos seus mais diversos aspectos e um dos legados foi sem dúvida a introdução da Ginástica no município. No início do século XX após os surtos de febre amarela, a presença deste grupo foi um pouco inibida, dado o número de mortes e a mudança de cidade por parte de algumas famílias alemãs. No entanto, segundo Karastojanov (1999, pg.262):

“Lentamente, a população foi retornando para promover a reconstrução e, entre ela, os alemães. Aqueles que fundaram a Sociedade Alemã de Instrução e Leitura conseguiram fazer com que seus descendentes realmente se tornassem membros úteis da sociedade, como desejava Anton Exel. Muitos na verdade deixaram a cidade para nunca mais voltar, mas outros nela permaneceram ou a ela retornaram, mantendo antigas Associações ou criando novos Clubes Recreativos, organizando novas festas e fundando novas Sociedades.”

E foi através das imagens fotográficas que reconstruímos a história destes grupos,tentando entendê-las como documentos históricos carregados de significado. Os Clubs (grafia usada na época) que faziam parte deste cenário e que foram fundados por alemães foram o Club Concórdia em 1871, o Eintracht por volta de 1900 e o Turner Gruppe Campinas em 1904.

Símbolo do Turner Gruppe Campinas.

Símbolo do Turner Gruppe Campinas.

Localizado na Rua Ferreira Penteado, o Turner Gruppe, ficava próximo a Escola Alemã (Deutsche Schule) tendo, portanto uma ligação forte com este estabelecimento.

Não podemos afirmar que todos os clubes possuíam a Ginástica como conteúdo, pois o Club Concórdia, por exemplo, era conhecido pela prática do “bolão” um jogo parecido com o boliche e muito popular entre os grupos alemães. Acreditamos ser o Turnen Gruppe o local onde a comunidade citadina formada por alemães se encontrava para a prática da Ginástica.

Na foto abaixo, temos 26 homens e 12 mulheres, com idades diferentes e ao que tudo indica, participavam das atividades de Ginástica no Turnen Gruppe. Outro ponto que devemos nos ater ao observarmos tal foto é a presença, nos cantos direito e esquerdo, de aparelhos de ginástica.

Grupo de alemães no começo do século no Turner Gruppe Campinas.

Grupo de alemães no começo do século no Turner Gruppe Campinas.

A Ginástica idealizada por Jahn, estes alemães trouxeram, sem dúvida aquela vertente que fora direcionada para a população em geral, na qual um grande número de pessoas poderia participar compondo muitas vezes formas, como no caso das pirâmides.

Formada por 24 homens, a formação apresentada na foto a seguir mostra uma simetria e uma grande preocupação em criar algo bonito e que chamasse atenção, afirmando inclusive a masculinidade e virilidade de tais alemães. Na falta de uma estrutura como as encontradas na Europa, a criatividade teve que ser muito utilizada para a elaboração de implementos que ajudassem a compor tais figuras.

Duas escadas serviram de base para a criação da pirâmide no quintal do Turner Gruppe que, aliás, servia como local de apresentação e prática da Ginástica, uma vez que as condições climáticas do Brasil possibilitavam que tal atividade pudesse ser praticada por muitos meses ao ar livre.

Piramide masculina – Turner Gruppe Campinas.

Piramide masculina – Turner Gruppe Campinas.

A mulher também tinha espaço dentro da Ginástica, no entanto, devemos lembrar que este espaço aparentemente não era o mesmo destinado aos homens. Se por um lado, á eles eram destinados os exercícios de força, ás mulheres restava a prática dos exercícios de forma moderada. No entanto, devemos considerar que para a época, isto já era um grande avanço, uma vez que as mulheres brasileiras no mesmo período ainda eram vistas apenas como geradoras de filhos e a prática de exercícios físicos e da educação de modo geral, ainda estava longe da sua realidade. A mulher alemã, vivendo no Brasil vivia um antagonismo muito forte, sendo respeitada dentro de seu grupo étnico, mas enfrentando vários problemas para se afirmar na sociedade machista.

image-003

Grupo de moças em apresentação no Turner Gruppe Campinas.

Voltando aos clubes alemães, 1912 é uma data importante, pois marca a união dos três principais grupos: O Club Concórdia, o Eintracht e a Deustche Schule.

Percebemos na foto abaixo os próprios dizeres escritos em alemão: “Einickeit macht stark” o que significa “A unidade faz a força”, mostrando que quanto mais unidos tais grupos se mantivessem, mais fácil seria passar pelas mudanças introduzidas no Brasil através das novas estruturas sociais e econômicas que estavam sendo implantadas.

Percebemos inclusive que muitos dos que estão presentes nesta foto, também o fazem em outras, inclusive as do Turner Gruppe, o que vem a confirmar que apesar de fazerem parte de associações diferentes, o Turner Gruppe parece ser um ambiente onde todos se encontram. Ou também pode demonstrar que dentro dos grupos alemães existiam pessoas que transitavam fazendo talvez a ponte para que a união acontecesse em 1912.

Interessante é notarmos também o significado da palavra Eintracht que pode ter muitos significados – unidade, solidariedade, harmonia, estar junto.

Foto comemorativa da união dos diferentes clubes alemães em Campinas.

Foto comemorativa da união dos diferentes clubes alemães em Campinas.

É também em 1912 que temos um outro marco importante. Nasceu neste ano a primeira professora da região formada em Educação Física. Filha de Ida e Jacob Forster, ambos suíços-alemães.

No início dos anos vinte, Otília Forster está com oito anos de idade e estudando no ensino primário da Escola Alemã. Suas aulas de Ginástica/Educação Física nesta instituição são ministradas por professores alemães que segundo ela: “Ensinavam para a gente a ginástica com bastão e era uma ginástica de pular muito. Tínhamos uma vez por semana”.

O Clube Alemão de Ginástica nesta época ainda funcionava como centro cultural da vida alemã. Por ser a filha mais nova, de uma família de nove filhos, Otília não chegou a aproveitar tanto das atividades oferecidas, mas têm em sua memória as atividades desenvolvidas pelos seus irmãos:

” Chamava-se Clube de Ginástica Alemão. Eles faziam ginástica lá, aprendiam muitas outras coisas também. Passeavam em excursões para Rio Claro, Valinhos, onde tinham outros alemães, enfim uma série de coisas que os alemães faziam. Eu tinha um irmão também que fazia canoagem no Regatas, até construiu um barco. Papai puxava muito a gente, ele nunca implicou com nada, tudo o que a gente pedia, ele procurava fazer.”

Na foto abaixo podemos ver um grupo de seis jovens descendentes de alemães em uma atividade de Ginástica em Valinhos no início dos anos 20. No entanto, a foto e a fala de Otília nos levam a visualizar muito mais do que a prática da Ginástica.

Jovens alemães, praticantes do Turnen, em Valinhos.

Jovens alemães, praticantes do Turnen, em Valinhos.

No caso campineiro, vemos a proliferação do esporte nos diversos clubes existentes na cidade: Clube Campineiro de Regatas e Natação, com os esportes náuticos; o Tênis Clube Campinas, com o tênis, a Sociedade Hípica de Campinas com os esportes eqüestres e a Associação Atlética Ponte Preta e o Guarani Futebol Clube com o futebol.

Após os estudos primários, Otília Forster ingressa na Escola Complementar em 1928 e conclue seus estudos em 1930, com o objetivo de se tornar professora primária, destino seguido pela maioria das moças de “boa família”. Interessante é compartilhar desuas memórias a respeito da Ginástica neste período:

“Nossa professora de ginástica era D. Ondina Vilella, que era professora aproveitada e dava aula com uma saia apertada, blusa e salto alto…ela não gostava de fazer com a gente, conversava muito bem e tudo e por isso estava lá. Mas as aulas… eram em um porão e tudo tabelado. Era uma seqüência de Ginástica, movimento.”

Mais interessante ainda é compartilhar de suas impressões a respeito de tais

aulas:

“Eu então, decorava aquela seqüência. Na escola, tínhamos as grades típicas do método sueco, os espaldares. Tinha no porão onde era a aula, os pilares que sustentavam os andares do prédio, então eu ficava atrás na aula de Ginástica. Eu dizia: ‘ Não vou fazer esta bobagem’. Então eu ouvia as outras colegas dizendo: ‘ Você é danada, heim?’ E então eu dizia: ‘ Mas eu não vou repetir esta coisa de sempre, porque ela (a professora) dizia – Você é o número um, você é o número dois!. É claro que tínhamos uma seqüência com Ginástica de abaixar, mas ela não estava nem aí se fazia certo ou errado. Era uma mistura, Ginástica Sueca, Ginástica Alemã.”

No Colégio Culto à Ciência, os dois professores, responsáveis pelo período de 1904 a 1947, Jorge Henning e Alberto Krum eram descendentes de alemães, sendo o último freqüentador do Turner Gruppe Campinas.

Ainda sobre a presença dos professores alemães, Otília conta que:

“Depois que a Escola Normal (Colégio Carlos Gomes), mudou de prédio, aí ficou sendo o professor Fernando Tilli. Ele não era formado, mas ele era diretor do Clube de Ginástica, sabia muito de Ginástica… você sabe, alemão adora Ginástica !”.

Grupo de moças se apresentando no Turner Gruppe Campinas.

Grupo de moças se apresentando no Turner Gruppe Campinas.

Praticante de Ginástica usando cavalo com alças.

Praticante de Ginástica usando cavalo com alças.

Em termos políticos o mundo também passava por transformações. No Brasil a quebra da bolsa de Nova York em 1929 vai trazer fortes conseqüências para a economia campineira, uma vez que esta ainda é, neste período, um dos dínamos da nação em termos de exportação de café. Como conseqüência de um processo, a economia cafeeira sofre sua queda, dando lugar a outras transformações mais profundas. Nas palavras de Carpintero (1996, pg.37): “Em Campinas, em 1930, estava nitidamente instalada a crise urbana, cedendo espaço àquelas transformações profundas da estrutura social e econômica, nas quais se incluíam a industrialização e a urbanização”.

A “República Café com Leite”, perde desta forma, um dos seus mais fortes pilares e prepara o terreno para ao golpe militar de 24 de outubro de 1930. Para Castanho (1993 pg.56): “1930 não significa a derrota completa da oligarquia em bloco. Foi mais claramente a oligarquia paulista, ligada ao comércio exportador, que se desalojou do poder, cedendo o passo a oligarquias dissidentes de outras unidades federativas, aliadas a setores populares e de classe média, civil e militar (os ‘tenentes’).

Com a queda do trabalho no campo, a cidade começou então a contar com uma mão de obra barata e relativamente qualificada, o que foi visto com bons olhos, uma vez que a industrialização começava então a ganhar espaço dentro do contexto da cidade.

Desta forma há uma aceleração no processo de urbanização da cidade, pois Campinas passa a ter uma população essencialmente urbano-industrial (Baeninger, 1996). Os acontecimentos que sucedem a subida de Vargas ao poder como a Revolução Constitucionalista de 1932, a criação da ANL (Aliança Nacional Libertadora) mostra a fragilidade do período, uma vez que as mudanças foram drásticas e em pouco tempo. Na Europa, o movimento Nazista e Fascista colocam Alemanha e Itália no foco mundial e suas repercussões chegam ao Brasil.

No plano internacional Vargas mantinha um jogo duplo, ora pendendo para os Estados Unidos, ora pendendo para a Alemanha. Mas dado o seu posicionamento final contra a Alemanha na 2a. Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil também teve que lutar contra a infiltração nazista. O primeiro alvo de repressão foram sem dúvida as associações de alemães. Mesmo não compactuando de idéias nazistas, muitas associações pelo país afora tiveram que mudar de nome, abrasileirando-se e abrindo suas portas a outros brasileiros, como prova do seu não comprometimento com qualquer coisa que viesse da Alemanha em termos políticos.

As buscas e repressões também foram fortes, e colaboraram para que a mudança de nome do Turner Gruppe acontecesse. Tal mudança não foi apenas de fachada, alterando o nome. Mudou também sua identidade cultural tornando-se aos poucos um espaço social não só para alemães, mas preferencialmente para brasileiros.   A própria Deutsche Schule passa a se chamar Colégio Rio Branco, confirmando esta necessidade que o período impôs.

Mas voltando para as memórias de Otília Forster, após a conclusão de seus estudos na Escola Normal Carlos Gomes, Otília trabalhou em Potirendava, interior do Estado de São Paulo e em 1939, convencida por uma amiga de sua família, ingressou na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo.

Sua turma foi a segunda que entrou no curso, já que a primeira iniciou em agosto de 1938. Em fevereiro de 1939, Otília Forster começa seu estudo na área em que a consagrou como uma das difusoras da Ginástica e Educação Física pelo interior do Estado.

É na USP também que em 1940 vamos nos encontrar com mais uma voz que virá contribuir para a narrativa. Pedro Stucchi Sobrinho, que após cursar um ano de Engenharia na Politécnica muda para o curso de Educação Física. As razões desta mudança são explicadas quando este lembra que:

“Eu jogava para a Politécnica basquete, vôlei, atletismo, natação e eu morava em uma pensão com três moços que eram da Educação Física e eles sempre me diziam: ‘Mas Stucchi, porque você está fazendo Engenharia? Você tem que fazer Educação Física!’ E eu dizia assim: ‘olha, eu gostaria mas tenho que falar com meu pai.  Então em 1940 mudei de curso e fui fazer Educação Física para ser professor.”

Ao falar do seu tempo como estudante, suas memórias passam obrigatoriamente por esta fase:

“A Escola de Educação Física foi muito boa. Eu pertencia às equipes principais, representava o nome da USP. A Escola vivia sendo convidada para excursionar pelo interior, fazendo demonstrações de ginástica, de esgrima, de boxe…Uma porção de coisas que nós fazíamos.”

Alunos da USP experimentando a Rhonrad, por volta de 1943.

Alunos da USP experimentando a Rhonrad, por volta de 1943.

Pedro Stucchi, experimentando a Rhonrad.

Pedro Stucchi, experimentando a Rhonrad.

Guia, professor e pianista do II Campeonato Colegial.    Professor Antonio Boaventura da Silva e o Pianista ao centro e os quatro guias da demonstração. Pedro Stucchi é o último do canto direito.

Guia, professor e pianista do II Campeonato Colegial.
Professor Antonio Boaventura da Silva e o Pianista ao centro e os quatro guias da demonstração.
Pedro Stucchi é o último do canto direito.

Um fato curioso que aconteceu aqui, em 1939 foi a comemoração do Bicentenário da cidade. Segundo Martins (2000), no dia 3 de setembro foi inaugurado no Hipódromo Campineiro uma exposição comemorativa que contou com o apoio de toda população, prefeitura e principalmente dos empresários que já projetavam para Campinas um futuro de glória e avanços tecnológicos. Foi uma enorme festa cívica envolvendo escolas, entidades e toda a classe política de Campinas. No entanto tal festa se mostrou um grande erro histórico pois foi confirmada posteriormente que a data de fundação de Campinas foi 1774, o que fez com que a festa “verdadeira” do bicentenário fosse em 1974.

Alunos do Colégio Culto à Ciência, em apresentação.

Alunos do Colégio Culto à Ciência, em apresentação.

Otília Forster, após a conclusão do curso de Educação Física volta para está cidade, em 1941 para trabalhar com a Educação Física nas escolas primárias. A cidade já estava no início do seu processo de transformação urbana com o Plano Prestes Maia que visava a melhoria da circulação no centro da cidade com a criação de avenidas, alargamento de outras e preservação do centro histórico, ganhando outros traçados para melhor adaptar-se à nova fase industrial (Carpintero, 1996).

Tais alterações eram típicas de uma sociedade que emergia em pleno Governo Vargas e que compartilhava da mesma idéia de expansão industrial. Campinas teria que ser cada vez mais dinâmica, ágil e eficiente. É uma cidade também que muda não só sua fachada, mas principalmente suas estruturas internas. Apesar da beleza aparente, Campinas já contava com inúmeros problemas habitacionais com pessoas morando em cortiços e vivendo em condições que contrastavam com a imagem moderna da cidade industrial.

A inserção de Otília dentro das escolas aconteceu por via de indicação política, uma vez que segundo a própria “foram abertas oito vagas para professores primários: “Quatro no interior e quatro na capital”.

Após uma reunião com o delegado de ensino de Campinas, está explicou seus objetivos e a necessidade de “dar alegria às crianças, ensinar uma coisa boa que eles possam fazer também em outros lugares”.

Todos os diretores dos grupos escolares aprovaram, mas segundo ela, estavam preocupados com a questão do uniforme: “Então eu disse, o uniforme vai ser isso – a blusinha branca que eles já tem e o calçãozinho para as meninas”. Seu papel neste período foi o de criar “aulas-modelo” para que as professoras primárias pudessem aprender a ensinar atividades físicas para os alunos: “Então eu dava aula para as crianças, elas (professoras) assistiam e eu dava um plano de aula. Depois eu explicava tudo direitinho como é que tinha que fazer. Eu dava o plano de aula, mas elas podiam criar em cima daquela idéia – Essas eram as aulas-modelo.”

Mas Otília se interessava também pela Ginástica de demonstração, que julgava importante para a divulgação da mesma: “Nós formávamos também com aquelas meninas que mais se destacavam a equipe de demonstração. Estas ficavam depois da aula para ensaiar. Neste tempo eu só pensava na demonstração, já que isso era uma forma de incentivar o povo. A criançada ia toda para a cidade e por conseqüência as mães que queriam assistir, então isso tudo ia juntando um público bom. Eu me lembro que em 1941 ou 1942 eu levei acho que foram 250 crianças daqui para São Paulo fazendo uma demonstração de Ginástica, as meninas e os meninos pirâmides, que seu Vicente Ferreira, do Grupo Orosimbo Maia me ajudou.  Ao contar  sobre seu trabalho nas escolas de pré-primário, esta se recorda de uma situação muito especial: “Eu dava aula numa escola próxima a Costa Aguiar e lá tinha o primário. Então a diretora veio falar comigo que ela queria uma apresentação no dia 15 de novembro e eu achei uma boa idéia para fazer com os pequeninos. Preparei então uma demonstração historiada com o Chapeuzinho Vermelho. Eu ia com uniformezinho da Ginástica. As meninas maiores também foram, fizeram uma apresentação primeiro e depois vieram eles… Foi ali no Cambuí no jardim(onde hoje é o Centro de Convivência). Trabalhando em oito grupos escolares, escolas pré-primárias, Otília ainda era chamada para dar aulas nos colégios particulares como o Colégio Ave Maria e ainda era chamada para dar as diretrizes da Educação Física para a região de Campinas em cidades como: Espírito Santo do Pinhal, São João da Boa Vista, Artur Nogueira, Mogi Mirim e Amparo, entre outras cidades. Dada a demanda de professores formados na área para trabalhar nas diversas escolas de Campinas, Otília acaba encontrando aqui um espaço privilegiado também para o desenvolvimento de sua vida profissional. Interessante é notar que o Método Ffrancês acompanhava sempre suas aulas, mas havia uma certa flexibilidade:

“Eu usava sempre o Método Francês, mas claro que mudei muita coisa porque a prática faz a gente adaptar às crianças, não é? Mas a seqüência era assim: braço, perna, tronco, corpo inteiro, depois as mãos, pés. Usava também outros materiais como corda e o que eu pedisse os diretores arrumavam. Mas eram aulas muito curtas, só vinte minutos. E não tinha nada de fazer acrobacias na minha aula, era outra Ginástica.

Otília também foi convidada a trabalhar no Instituto Cesário Motta, na Av. Júlio de Mesquita. Mas foi durante sua fala que conseguimos pistas para mostrar a Ginástica sob uma outra ótica: “Quando fui convidada para dar aulas, no Cesário Motta, antes só tinha um professor que era o Sérgio Trajado e ele dava aula para as meninas e para os meninos”. Após está fala também um pouco desta outra história através das imagens que seguem:

Fachada da Praça de Esportes do Instituto Cesário Motta.

Fachada da Praça de Esportes do Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Atividade de Ginástica, no Instituto Cesário Motta.

Dado este contexto, acreditamos que a Ginástica em Campinas durante este período encontrava-se decadente dentro das associações alemãs, porque estes já não podiam mais se reunir, mas aparece na escola de uma forma bastante viva, consistindo basicamente de apresentações escolares, onde era possível ver concretamente a sua existência. Interessante é notar que ela aparece dentro do contexto escolar nas aulas de Educação Física.

Então desta forma, em 1951, Pedro Stucchi Sobrinho, passa a fazer parte do quadro de professores do Colégio Culto à Ciência tendo permanecido nesta escola por vinte e oito anos, até 1979. Otília Forster, também esteve presente até 1974 no cenário educacional, mas consideramos que neste período quem realmente alavanca e projeta a Ginástica em suas diferentes expressões é realmente o professor Pedro Stucchi.

Otília Forster, sem dúvida foi uma colaboradora importantíssima para a expansão da Ginástica no ensino primário e sua contribuição também está nas memórias de Pedro Stucchi:

“A Otília, foi um baluarte. Ela cuidava mais desta parte primária, e também houve uma época em que o departamento dava a oportunidade a determinadas escolas do interior de irem para Santos passar uma  temporada de 10 ou 15 dias, então ela ia com a meninada. Ela não era especialista em basquete, vôlei, nessas modalidades, mas na parte dos menores ela era muito boa.”

Para entrar definitivamente na escola, ele teve que passar por uma banca de efetivação que foi constituída por cinco examinadores. Interessante é notar que o presidente da banca era um médico e a banca era constituída por mais dois outros médicos, pelo professor Alberto Krum e pelo diretor da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Nesta banca foi exigido que o professor apresentasse uma aula de acordo com o Método Francês.

Pedro Stucchi,  era responsável pela parte masculina da Educação Física, uma vez que as aulas eram separadas por gênero e aos meninos ainda era colocado o papel da força e virilidade, enquanto que para as meninas restava a beleza e graça. Estes eram papéis estabelecidos desde a formação profissional dos professores, uma vez que algumas disciplinas nas Escolas Superiores de Educação Física destinavam-se a um ou a outro gênero como, por exemplo, a Ginástica Feminina Moderna e o Judô.

As imagens abaixo retratam bem a dualidade presente no espaço escolar, uma vez que para as meninas a imagem que ficou retratada é de uma simples pose e que, diga-se de passagem, pela fisionomia das alunas não parecia ser algo muito motivante.

Apresentação masculina.

Apresentação masculina.

Foto com as meninas que participavam da Ginástica.

Foto com as meninas que participavam da Ginástica.

Apresentação de Ginástica, no Culto à Ciência

Apresentação de Ginástica, no Culto à Ciência

Apresentação de Ginástica, no Culto à Ciência

Apresentação de Ginástica, no Culto à Ciência

Desfile dos alunos em comemoração ao Sete de Setembro 1955, no Estádio Moysés Lucarelli.

Desfile dos alunos em comemoração ao Sete de Setembro 1955, no Estádio Moysés Lucarelli.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação do Colégio Culto à Ciência, no Estádio da Ponte Preta.

Apresentação de Ginástica Masculina. no Ginásio Alberto Krum, que pertence ao Colégio Culto à Ciência.

Apresentação de Ginástica Masculina. no Ginásio Alberto Krum, que
pertence ao Colégio Culto à Ciência.

Apresentação de Ginástica Masculina no Ginásio Alberto Krum, que pertence ao Colégio Culto à Ciência.

Apresentação de Ginástica Masculina no Ginásio Alberto Krum, que
pertence ao Colégio Culto à Ciência.

Pedro Stucchi e os atletas do JEBs

Pedro Stucchi e os atletas do JEBs

A Ginástica, Campinas, seus personagens… os anos oitenta, noventa, novo milênio, mudanças que valeriam a pena ser descritas, estudadas e aprofundadas.

Anúncios

Um comentário em “A GINÁSTICA EM CAMPINAS: SUAS FORMAS DE EXPRESSÃO DA DÉCADA DE 20 A DÉCADA DE 70.

  • Deixe um comentário

    Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

    Logotipo do WordPress.com

    Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

    Imagem do Twitter

    Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

    Foto do Facebook

    Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

    Foto do Google+

    Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

    Conectando a %s

    %d blogueiros gostam disto: