Maria Sylvia Ferraz Silva

Publicado 16/12/2014 por lcs2308

A Profa. Maria Sylvia, nasceu em 07 de abril de 1928 e faleceu em 22 de agosto de 2014. Era filha da pianista Páschoa Ziggiatti Ferraz (15.04.1900+19.02.1988) e de David Ferraz (17.09.1900-02.07.1982).

Casou-se com Accácio Borghi Silva (09.04.1924-26.12.2016) Tinha como filhos:  José Cássio, José  Alexandre, José Augusto e José Flávio.

Era membro da ACADEMIA CAMPINEIRA de CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES DAS FORÇAS ARMADAS, cadeira 11.

Matéria de 2013: São fotografias em preto e branco. Aparecem garotas lindas, de saias rodadas, em movimentos delicados, agradecendo os aplausos. Há rodas de adolescentes tocando instrumentos. Moças declamam poesias. Aquela coleção remete a um tempo romântico, de teatros lotados. Os detalhes decorativos, as cortinas rendadas do palco e a elegância dos espectadores fazem passar um filme na cabeça de quem vira as páginas. Lá estão eternizados momentos de uma cidade que corria aos auditórios para ouvir poesia e música. O acervo serve, também, como o registro de uma carreira emocionante, de uma senhora que passou a vida ensinando violão e declamação a centenas de alunos. Maria Sylvia Ferraz Silva, hoje, é uma senhora de 83 anos. Ela mora com o marido Acácio no último andar do charmoso e tradicionalíssimo Edifício Itatiaia, bem de frente à Praça Carlos Gomes. A sala tem espaço para estantes imensas, onde os violões dividem espaço com arranjos florais e pratos de azul-pombinho. A cadeira de balanço ajuda a formar o cenário singelo do cômodo, com direito a lustres antigos, quadros, enfeites delicados. O silêncio do lar acaba no momento em que Maria Sylvia, de pé ao lado da janela, declama Rua de Rimas, obra-prima de Guilherme de Almeida. A senhorinha reclama que não tem a mesma saúde de antes. Ela anda mesmo devagar, com passinhos medidos. Fala pausadamente. Procura na memória o nome das pessoas, dos lugares, dos eventos. Mas não deixa uma pergunta sem resposta. Mas, na hora de declamar, ela mostra aquele talento único de dar vida às sílabas. O repórter e a fotógrafa do Correio Popular formaram a privilegiada plateia, e ouviram a dona declamar os versos que falam da ruela discreta, tranquila, com acácias debruçadas para a calçada, com serenata, luar e lampião. Uma rua que, diz o autor, se chama Felicidade. Quando Maria Sylvia termina a apresentação improvisada, o visitante sente um tremendo nó na garganta. Sente exatamente a mesma emoção que sentia o público que, por exemplo, tomava as poltronas do Teatro Municipal ou do Cultura Artística, lá pelas décadas de 50 e 60. Naquele tempo, para declamar e tocar, os alunos também invadiam escolas, clubes de serviço, centros culturais, jantares, praças. Filha de Davi Ferraz, um empresário que importava óleos lubrificantes, a menina Maria Sylvia declama desde os 7 anos de idade. Quem descobriu o talento foi sua tia Dinorah, professora do Externato São João. A garotinha também aprendeu macetes da arte com a dona Otávia Maia Freitas Guimarães, bibliotecária do Culto à Ciência. Moça, Maria Sylvia começou a dar aulas particulares na própria casa onde morava, na Nova Campinas. E não se esquece dos alunos. Teve o capricho de escrever o nome de cada um, sob as fotografias. Pelas aulas, passaram crianças, adolescentes, adultos, idosos. E muita gente virou artista profissional. Caso, por exemplo, de Regina Duarte, ícone global. Foi Maria Sylvia quem ensinou a atriz a interpretar versos, a lapidar sílabas. Segredinhos que a “namoradinha do Brasil” usou nos palcos do teatro e na televisão. No final do ano, por sinal, Regina Duarte foi homenageada pelo Faustão. Uma equipe de reportagem passou dias antes no Itatiaia, e colheu um depoimento de Maria Sylvia que fez a atriz se desmanchar em lágrimas no Domingão. A última vez que as duas se encontraram pessoalmente foi em 92. Regina Duarte apresentou a peça A Vida é Sonho em Campinas, e a professora a recebeu em casa. A visita ilustre também virou foto e foi guardada na coleção impecável de álbuns. É lá, naquelas imagens, que Maria Sylvia mergulha volta e meia, para lembrar do passado. Ela, hoje em dia, ela prefere não sair de casa. Barulho, por ali, só tem quando aparecem os seis netos. Apresentações? Só para velhos conhecidos. Afinal, reclama Maria Sylvia, a declamação não é uma arte popular. E tem pouquíssimo espaço em um mundo moderno que tem tudo, menos sensibilidade. “Acho que sou a última declamadora viva”, ri.

Matéria de 2013:
São fotografias em preto e branco. Aparecem garotas lindas, de saias rodadas, em movimentos delicados, agradecendo os aplausos. Há rodas de adolescentes tocando instrumentos. Moças declamam poesias. Aquela coleção remete a um tempo romântico, de teatros lotados. Os detalhes decorativos, as cortinas rendadas do palco e a elegância dos espectadores fazem passar um filme na cabeça de quem vira as páginas. Lá estão eternizados momentos de uma cidade que corria aos auditórios para ouvir poesia e música. O acervo serve, também, como o registro de uma carreira emocionante, de uma senhora que passou a vida ensinando violão e declamação a centenas de alunos.
Maria Sylvia Ferraz Silva, hoje, é uma senhora de 83 anos. Ela mora com o marido Acácio no último andar do charmoso e tradicionalíssimo Edifício Itatiaia, bem de frente à Praça Carlos Gomes. A sala tem espaço para estantes imensas, onde os violões dividem espaço com arranjos florais e pratos de azul-pombinho. A cadeira de balanço ajuda a formar o cenário singelo do cômodo, com direito a lustres antigos, quadros, enfeites delicados. O silêncio do lar acaba no momento em que Maria Sylvia, de pé ao lado da janela, declama Rua de Rimas, obra-prima de Guilherme de Almeida.
A senhorinha reclama que não tem a mesma saúde de antes. Ela anda mesmo devagar, com passinhos medidos. Fala pausadamente. Procura na memória o nome das pessoas, dos lugares, dos eventos. Mas não deixa uma pergunta sem resposta. Mas, na hora de declamar, ela mostra aquele talento único de dar vida às sílabas. O repórter e a fotógrafa do Correio Popular formaram a privilegiada plateia, e ouviram a dona declamar os versos que falam da ruela discreta, tranquila, com acácias debruçadas para a calçada, com serenata, luar e lampião. Uma rua que, diz o autor, se chama Felicidade.
Quando Maria Sylvia termina a apresentação improvisada, o visitante sente um tremendo nó na garganta. Sente exatamente a mesma emoção que sentia o público que, por exemplo, tomava as poltronas do Teatro Municipal ou do Cultura Artística, lá pelas décadas de 50 e 60. Naquele tempo, para declamar e tocar, os alunos também invadiam escolas, clubes de serviço, centros culturais, jantares, praças.
Filha de Davi Ferraz, um empresário que importava óleos lubrificantes, a menina Maria Sylvia declama desde os 7 anos de idade. Quem descobriu o talento foi sua tia Dinorah, professora do Externato São João. A garotinha também aprendeu macetes da arte com a dona Otávia Maia Freitas Guimarães, bibliotecária do Culto à Ciência. Moça, Maria Sylvia começou a dar aulas particulares na própria casa onde morava, na Nova Campinas. E não se esquece dos alunos. Teve o capricho de escrever o nome de cada um, sob as fotografias. Pelas aulas, passaram crianças, adolescentes, adultos, idosos. E muita gente virou artista profissional.
Caso, por exemplo, de Regina Duarte, ícone global. Foi Maria Sylvia quem ensinou a atriz a interpretar versos, a lapidar sílabas. Segredinhos que a “namoradinha do Brasil” usou nos palcos do teatro e na televisão. No final do ano, por sinal, Regina Duarte foi homenageada pelo Faustão. Uma equipe de reportagem passou dias antes no Itatiaia, e colheu um depoimento de Maria Sylvia que fez a atriz se desmanchar em lágrimas no Domingão. A última vez que as duas se encontraram pessoalmente foi em 92. Regina Duarte apresentou a peça A Vida é Sonho em Campinas, e a professora a recebeu em casa.
A visita ilustre também virou foto e foi guardada na coleção impecável de álbuns. É lá, naquelas imagens, que Maria Sylvia mergulha volta e meia, para lembrar do passado. Ela, hoje em dia, ela prefere não sair de casa. Barulho, por ali, só tem quando aparecem os seis netos. Apresentações? Só para velhos conhecidos. Afinal, reclama Maria Sylvia, a declamação não é uma arte popular. E tem pouquíssimo espaço em um mundo moderno que tem tudo, menos sensibilidade. “Acho que sou a última declamadora viva”, ri.

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Foto: Dominique Torquato.

 

 

Maria Sylvia e família

Maria Sylvia e família

 

Maria Sylvia, em 1943.

Maria Sylvia, em 1943.

 

 

Maria Sylvia e sua aluna, Regina Blois Duarte, em 1992

Maria Sylvia e sua aluna, Regina Blois Duarte, em 1992

 

 

Maria Sylvia, em 2012.

Maria Sylvia, em 2012.

 

 

Accácio Borghi e Maria Sylvia

Accácio Borghi e Maria Sylvia

 

 

NELSON E ODILA MANGEON MARTINS E ACCCIO E MARIA SILVIA FERRAZ SILVA. Acervo "Fernando Martins".

NELSON E ODILA MANGEON MARTINS E ACCACIO E MARIA SYLVIA FERRAZ SILVA. Acervo “Fernando Martins”.

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