Natal de Outrora

A Matriz de Santa Cruz, adornava-se de galas, resplandecia de sedas, de dourados, de flores e de luzes, principalmente o altar-mor, em cujo cimo ostentava, ricamente enfeitado, o tabernáculo, onde por ocasião das grandes solenidades era exposto à adoração dos fiéis.

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As harmonias festivas da Orquestra de Sant’Anna Gomes, enchiam o ambiente sagrado. O órgão desprendia acordes e melodias de júbilo, envolvendo os cânticos da diversas vozes argentinas, que entoavam hinos em homenagem ao suave episódio histórico, de que brotou consoladamente a puríssima doutrina.

 

 

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— “Glória in excelsis Deo!”, entoava à meia noite, o sacerdote celebrante, com voz calma e forte, repetindo o louvor e a adoração a onipotência divina. E os sinos todos repicavam festivamente, em sinal de júbilo. Como disse um escritor sacro: ” Porque foi a essa hora, que os anjos cantaram esse hino, que anunciou o nascimento do menino Jesus”.

 

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No Largo da Matriz, quebrava a escuridão da noite o clarão de grandes e crepitantes fogueiras. Inúmeros foguetes subiam, estrugindo nos ares, e as baterias troavam, repercutindo além dos ecos da estrondosa descarga. O contentamento e o respeito dentro da igreja se identificavam em todos os fiéis reunidos na memorável noite para glorificarem o nome de Deus! Um verdadeiro céu aberto para os devotos.

 

A Guarda Nacional, as vezes comparecia com seus oficiais agaloados, e com vistosos penachos nas barretinas. Montava a guarda nas portas do templo. Em frente ao Largo Matriz, viam-se quitandeiras sentadas junto de seus tabuleiros, cada um dos quais, com a sua lanterna, com vela acesa, ostentando os pés-de-moleque e outros doces secos, ao lado de empadinhas que se amontavam, apetitosas! Sobre a brancura da toalha.

 

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Uma vez um político, cuja alma franca e bondosa, na intimidade com os amigos se expandia prazenteiramente dele que chegará a mais alta culminância do governo em nosso País, está confissão em que a singeleza do seu feito moral se patenteava quase que infantilmente – : ” Você não imagina a satisfação que eu sentia, na minha meninice, quando em tempo de festa, me chegava a um tabuleiro para comprar um doce de batata roxa”.

 

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Que deliciosa sinceridade nessa expressão de animo tão peculiar aos corações serenos e bons, que cultuam o passado!

 

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Havia entre os idosos, costume  das famílias, o de se presentearem reciprocamente, por ocasião do Natal. E os presentes consistiam em bandejas de saborosas frutas, deliciosos doces em compoteiras, bolos finíssimos, em grandes pratos enfeitados com papel de seda, flores, etc.

 

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Narro um caso curiosíssimo ocorrido nesta cidade, há mais de noventa anos, e que foi relatado por uma veneranda senhora, a própria com que a família se dera o interessante episódio.

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A sua família querendo presentear a uma senhora de sua amizade, preparou uma magnífico bolo bem enfeitado e enviou acompanhado de saudações afetivas. A senhora obsequiada, satisfeita com o presente, agradeceu infinitamente a gentileza. Gostou tanto do bolo que não teve coragem de degusta-lo e lembrou-se, por sua vez, de mimosear uma amiga íntima, mandando seu delicado presente: o bolo. A segunda presenteada, ficou com a sua generosa amiga, deslumbrada, em face daquela  delicadeza.

 

Também não se animou a tocar no precioso prato, teve a ideia de remeter, como prova de estima a uma família-amiga que muito presava. É sem pestanejar levou a efeito o seu pensamento. Vai vendo, rs rs rs… As pessoas desta última casa, ao receberem a amável oferta, tiveram uma grande surpresa. O bolo recebido fizera um passeio dentro de um círculo afetivo: – Era o mesmo que dali havia saído hora atrás!.

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Prosseguindo, porém, na noite de Natal, na pequena Campinas de outrora, a população não dormia, a espera da Missa do Galo. Entretinham-se muitas famílias, umas reunindo em suas casas as pessoas de suas relações, comidas suculentas, cujos pratos fumegavam sobre as mesas, aromas de fazer encher a boca d’água; Outras matavam o tempo improvisando “soirées” dançantes em que predominavam os lanceiros, schotisks e polcas, ao som de pequeninas orquestras – dois ou três violinos tendo por acompanhamento o indefectível violão repinicado.

Após a missa, havia na Matriz uma exposição de presépio, cuidadosamente erguido na lateral do presbitério.

 

Esse capítulo, parte integrante das festas, em que o povo gozava de se fartar, desapareceu do cenário local. Traçamos neste momento essa desataviadas linhas, em que se procura reviver uma das páginas magníficas, encantadoras do velho livro do passado campineiro, recordando cenas descuidadas, como um presente de fim de ano.

 

 

 

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