Zé Trovão

Ainda hoje é lembrado como uma das figuras populares, mais queridas de Campinas.

José da Rocha Mattos, o Zé Trovão, nasceu em 14 de fevereiro de 1908. Filho de Antônio Rocha Mattos (06.01.1874-21.04.1955) e de Antônia Vieira da Rocha Mattos (30.08.1884-19.11.1954).

Irmão de Hélio, casado com Glória Elina de Souza Rocha Mattos (07.05.1933-17.05.2014), pais de Hélio, Daniel (05.09.1964-14.03.2010) e Marcelo.;

Maria de Lourdes, casado com Manoel Neves Fernandes;

João Batista, casado com Izelda Napolene Rocha Mattos;

Maria Aparecida, casada com Joaquim Pinto Sampaio;

Antônio Filho, casado com Maria de Lourdes;

Paulo, casado Virgínia Lobo da Costa;

Cássio;

Fábio da Rocha Mattos (15.06.1921-07.02.1933).

Zé trovão. Extraído da "Revista Metrópole".
Zé trovão. Extraído da “Revista Metrópole”.

 

Na Campinas dos anos dourados, Zé Trovão era a poesia em forma de gente. Gostava de compor versos e de andar pela cidade, dia e noite, sem parar, feito um “Forrest Gamp”. No Carnaval, desfilava com as fantasias mais originais. Saiu às ruas vestido de estação de rádio, com antenas na cabeça, e até de sacerdote. Também foi abajur e peru em dias de folia. Um dia ligaram para o Hélio Trovoada e disseram: “Seu irmão está pelas ruas vestido de padre”, e sabe-se lá onde ele encontrava os figurinos para tantos personagens. Hélio também não tem ideia, só se lembra que ele era frequentador assíduo do Teatro Municipal e não perdia uma apresentação. Era desafinado na gaita e na flauta, a ponto de não deixar ninguém sonhar na madrugada.

O Zé, teve uma infância normal até contrair meningite. “Ficou criança para o resto da vida”, conta Hélio.  Zé Trovão, publicou o livro na “Atualidade”, com poemas que falam de carnaval, festa junina, amigos e mulheres bonitas. Foi a lembrança que ficou dele, uma relíquia publicada graças ao empenho dos seus admiradores. A ilustração da capa é de Waldomiro do Valle e o prefácio leva a assinatura de José Villagelin Neto. É a única obra do homem que Campinas tanto queria conhecer melhor. Dá para saber um pouco mais dele quando se lê o que Villagelin escreveu: “O Zé Trovão tem o cérebro povado de fantasias e em sua alma mora esse ideal de ser poeta (…). Amigo de todas as horas, vai pelas ruas de Campinas, nossa terra, fazendo com que a imaginação trabalhe, às vezes, a passos largos, em busca de rimas, que vão mitigando a febre do seu ideal: ser poeta de Campinas”. Na abertura do livro, Zé escreve a dedicatória: “A todo aquele a quem posso dar o doce nome de amigo e às lindas normalistas – que são as andorinhas da terra, com admiração e reconhecimento”.

Arte na trajetória dos irmãos
Uma nota publicada no Correio Popular, em edição de 1941, fala do programa “Calouros no Bosque”, da Rádio Educadora, com Zé Trovão entre os participantes. Zé, era mais espectador do que artista. Mal sabia que seu irmão, Cássio, também seria um apaixonado pelas artes até o fim da vida e se tornaria famoso pela pintura excepcional. Na verdade, os dois adoravam a arte, só que um teve a capacidade de executá-la, enquanto o outro (Zé) basicamente conseguiu, por conta das sequelas da meningite, a apreciar o belo. “Ele era uma pessoa boa, por isso todos gostavam dele”, acredita Trovoada.

Cássio M’Boy se definia como um caipira. Cultivava uma vida folclórica, vivia numa casa com jeito de sítio, riozinho no quintal, sapo de estimação, quadros, tintas, pincéis e redes.

De vez em quando o Zé sumia

Dona Antônia, a mãe de Zé Trovão, ficava agoniada quando o filho desaparecia por dias, meses… Certa vez, ele foi parar no Rio de Janeiro, onde fizeram fotos lindas dele.  Zé adorava fotografar e carregava sua máquina por todo canto. Estava sempre elegante. Numa outra vez, foi parar em Santos, quando Trovoada foi encontrá-lo no Gonzaga e o trouxe de volta. Ele andava, andava e andava. Numa determinada fase “morou” no Hospital Bierrenbach de Castro, já que o próprio médico, o psiquiatra Otávio Bierrenbach de Castro, achou que seria melhor assim. Mas, de vez em quando, também dava umas escapulidas e Hélio o levava de volta. Não agredia ninguém, só queria circular pela cidade.

VERSOS

Eterna recordação
Ruth é uma morena muito linda
Dela tenho grande recordação
Seu retrato está bem guardado
Bem no fundo do meu coração

Oh, campineira!
Letra com a música
da marcha A Jardineira
Vem campineira
Vem moreninha
Não fique triste
Que a folia vai começar
Pois são três dias de alegria
Que nós temos pra gozar

Por Janete Trevisani.

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