Cruzeiro do Fundão

Publicado 11/03/2015 por lcs2308

Relato do Cruzeiro: “Certo escravo, incumbido de levar um bilhete a determinada pessoa residente lá pros lado do Cemitério da Saudade, ao aproximar-se do local, onde ficava o Cruzeiro, tendo esquecido a quem era remetida a correspondência, recorreu a alguém que por ele cruzava, solicitando que o auxiliasse. A pessoa, tomou a carta, leu-a, e informou ao portador que ela era destinada a determinada pessoa que morava ali nas imediações, à quem ele deveria entrega-la e receber como castigo chicotadas. Sabedor do que o esperava, apavorado o escravo suicidou.”

 

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No local do ocorrido, marcaram com uma cruz. Com grande préstito o povo se movimentou para reverenciar. Em ponto altaneiro, da via Ângelo Simões X Av. da Saudade, era muito visitada pelos que se dirigiam as mansões dos mortos. Velas e mais velas ardiam, no Finados, a devoção crescia extraordinariamente.

No dia 01 de novembro de 1909, vésperas da Finados, a Cruz do Fundão amanheceu no chão. Mãos sacrílegas a serraram e tentaram botar fogo, mas não findou.

Cruzeiro

Dom João Nery, congregou as associações religiosas da cidade e organizou uma comissão para promover a reposição da Cruz.

Assim ficou constituída a comissão: Dr. João de Assis Lopes Martins; Henrique Burnier; Antônio Rodrigues de Mello; Benedicto Octávio de Oliveira; José Rodrigues dos Santos Calhelha; Roque de Marco; Luiz Pereira; José Luiz Pereira de Queiroz; Alberto Nascimento; Carlos Coelho; Guilherme Décourt; Vicente Melillo; Antônio Benedicto de Castro Mendes; José Martins Ladeira; Bento da Silva Moraes; Joaquim Pinto de Moraes; Raphael de Salles; Carlos Gerin e Jerônimo de Campos Freire.

Os meios materiais surgiram com abundância e Gaetano Torre (1865-1914), chefe mecânico da Cia. MacHardy, foi encarregado de fazer a nova Cruz. Meses depois estava pronta.

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O “Cruzeiro do Fundão“, foi erguido novamente no domingo, dia 31 de maio de 1910, pela Comissão Popular. Cerca de 3.000 mil pessoas seguiram o cortejo que iniciou no Largo da Catedral, partindo às 16:30 para o Bairro Ponte Preta.

 

Cruzeiro, em 1964. Acervo CEDOC - Correio Popular.

Cruzeiro, em 1964.
Acervo CEDOC – Correio Popular.

 

Às 17:30, a procissão chegou no local, o Dom Nery, deu a benção litúrgica no novo Cruzeiro, que foi logo erguido. A neta do Barão Geraldo de Rezende, Maria Amélia Rezende Martins recitou a poesia “O Brasil e a Cruz” de Machado Júnior. Selando assim a inauguração.

 

 

Em 1956. Foto: João Balan.

Em 1956. Foto: João Balan.

 

Em 29/01/1974, foi iniciado a transferência do Cruzeiro, para defronte ao Cemitério da Saudade, na Praça Voluntários Campineiros de 1932.

 

O motivo

A medida do Poder Municipal foi motivada pela iminência da abertura da Av. Ângelo Simões, cujo prolongamento foi de ligar a Vila Leonor ao Bairro Ponte Preta, fazendo cruzamento com a Av. da Saudade. Atualmente o Cruzeiro continua em frente ao Cemitério.

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Matéria de 1974.

 

 

Referências:

* Correio Popular;

* Alaor Malta Guimarães;

*João Falchi Trinca;

*João Balan;

*CMU – Centro de Memória UNICAMP;

* Júlio Mariano.

 

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