Dr. Germano Melchert

Publicado 11/03/2015 por lcs2308

Dr. Germano Frederico Eduardo Melchert, nasceu em Flemhude(Holstein), Alemanha, no dia 02.01.1844. Filho do Sr. Germano Melchert e da Sra. Maria Catharina Calsen Melchert(*? + 1909).

Dr. Germano Melchert. Acervo "Glória Melchert".

Dr. Germano Melchert. Acervo “Glória Melchert”.

Em 07.09.1856, aos 12 anos, Germano desembarcou,  no Porto de Santos, vindos da atual Alemanha.

  Em  São Paulo, quando menino trabalhou como auxiliar de farmácia na “Veado de Ouro” até em 1859,  quando volta a sua terra Natal: Alemanha,  afim de estudar Medicina. Embarcava, com seus próprios recursos, para a Alemanha a fim de completar seus estudos e realizar seu sonho.

 Formou-se  em Medicina com distinção pela Real Universidade “Maximiliano Ludwig II”, Munich, Baviera, em 27.01.1872.

    Entre 1870 e 1872, Dr. Germano Melchert, serviu como médico voluntário para a Alemanha na guerra contra a França. Dr. Melchert,  estava na Alemanha quando a França declarou guerra à Alemanha (a guerra Franco Prussiana) a qual foi vencida pela Alemanha. O então jovem médico não era obrigado a se alistar pois era naturalizado brasileiro; mesmo assim foi como médico voluntário e ao final da mesma, foi condecorado pelo Kaiser Guilherme I, por sua bravura e dedicação, com a medalha de bronze e a cruz de ferro.

Voltou ao Brasil,  para atuar profissionalmente como médico no Brasil, defendeu tese em 1874,  na Faculdade Imperial de Medicina do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano muda-se para está cidade clinicando na Rua do Rosário, 60,  hoje Av. Francisco Glycério.

Acervo "Biblioteca Nacional".

Acervo “Biblioteca Nacional”.

18.06.1876

18.06.1876

 Seis anos depois, em 24 de abril de 1880, foi nomeado, pelo Imperador Pedro II, Capitão Cirurgião-Mor(cargo extinto em 1828) do Comando Superior da Guarda Nacional dos comandos de Campinas e Jundiaí.

 Foi suplente de juiz municipal em 1873, suplente de delegado de 1877 à 1881, membro do

Vereador de 1892-1895. Na época cargo de honra não remunerado.

 Foi do Dr. Germano Melchert o 1° projeto de lei para coleta de lixo desta cidade.

Rua da Constituição, hoje Costa Aguiar,.

Rua da Constituição, hoje Costa Aguiar,.

          Clinicou em Porto Feliz e Piracicaba.

27.11.1899

27.11.1899

 No final do século XlX, houve várias epidemias de febre amarela mas a mais grave foi no ano de 1889, quando o êxodo ocorrido nesta região foi verdadeiramente impressionante.

  Dr. Germano, Trabalhou incansavelmente durante a epidemia da febre amarela, valendo-lhe, por isso, a concessão de uma medalha de ouro por parte da câmara municipal, e por carta patente de Dom Pedro II.

As lágrimas da medalha simbolizam o sofrimento e as lágrimas derramadas pelo povo durante a epidemia de febre amarela de 1889.

As famílias abastadas se retiraram para outros locais não afetados pela terrível epidemia permanecendo junto ao perigo apenas os menos favorecidos ou aqueles que por obrigação inadiável teriam que continuar em lugar tão perigoso.
O livro “A cidade de Campinas em 1900“, de Leopoldo Amaral,  cita, sobre a mais terrível epidemia de febre amarela:
 Pg: 39- “Os annos de 1879-1880 estão vinculados, em nossa vida social, à maxima expansão do commercio. Nunca, antes ou depois, attingiu esta classe tão alto gráu de prosperidade…era citado como symbolo da seriedade…continuou até o anno lugubre de 1889, quando estalou aqui o raio da mais horrivel epidemia…“.
Foi nessa época tão sombria que o benemérito Dr. Melchert mostrou, em sua plenitude, seu valor.
Dos 23 médicos que em Campinas residiam apenas 3 (três) ficaram, durante todo o tempo, inclusive no chamado “mês do terror (abril de 1889)”, lutando heroicamente sem qualquer remuneração já que em Campinas só ficaram as famílias menos favorecidas economicamente.
Os nossos grandes beneméritos foram: Dr. Ângelo Jacyntho Simões, Dr. João Guilherme da Costa Aguiar e Dr.Germano Melchert. Este último deixava juntamente com as prescrições, dinheiro para os medicamentos e alimentação das famílias visitadas.
Dr. Melchert, foi contaminado pela febre amarela e tratado pelo delegado de higiene. Mesmo com sua saúde comprometida, continuou tratando incansavelmente os amarelentos e ajudando em tudo o que era possível, inclusive removendo cadáveres.
Assim como Dr. Costa Aguiar, o benemérito Dr. Melchert também enviou sua família para fora (Vevey, Suíça) ficando só na árdua luta contra a epidemia de febre amarela de 1889.

  Dr. Germano, foi  um dos três que não se ausentaram da cidade um dia sequer. No cartório da Conceição está registrado um atestado de óbito por ele firmado a 10 de fevereiro, o da professora suíça Rosa Beck, a primeira infortunada vítima da epidemia de 1889”.

         “… O Dr. Melchert ia de casa em casa para socorrer a pobreza. Entrava de porta adentro, examinava o doente ou os doentes e debaixo da receita deixava uma importância para a compra não só do medicamento como também para a alimentação da família necessitada. Providenciava a remoção de cadáveres, pois numa feita ao querer abrir a porta de um casebre, encontrou resistência: era um cadáver que estava atravessado na soleira da porta…

 Em 1899, ingressou-se,  no Hospital Real Beneficência Portuguesa, então fazendo parte do corpo clínico.
         Faleceu em Santos, no dia 5 de junho de 1921. Deixando vasta descendência.
Retrato a óleo, em tamanho natural, foi feito em homenagem ao benemérito Dr. Germano Melchert e está no salão nobre do hospital Beneficência Portuguesa de Campinas.

Retrato a óleo, em tamanho natural, foi feito em homenagem ao benemérito Dr. Germano Melchert e está no salão nobre do hospital Beneficência Portuguesa de Campinas.

 Referências:

Registro Histórico da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência.
A Febre Amarela em Campinas – Dr. Santos Filho Lycurgo de Castro e o memorialista Sr.Novais José Nogueira.
Olga Melchert
Glória Melchert
A Cidade de Campinas em 1900 – T Y P. a Vapor “Livro Azul”- Castro Mendes e irmão – 1889 – Organisado por Amaral Leopoldo
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4 comentários em “Dr. Germano Melchert

  • O pai de Dr. Germano também era médico.Fico feliz por tomar conhecimento quando verifico que meu trabalho, feito em 2006, tem sido visitado em todo o mundo. Tive imensa satisfação quanto ao retorno obtido pelo mesmo. Recebi emails de várias partes e de muitas pessoas perguntando se são parentes desse homem tão ilustre.Quanto ao retrato a óleo e as medalhas devem ter sido feitas a partir de meu trabalho; o competente fotógrafo Ariovaldo dos Santos foi quem fez a foto do mesmo e não conseguiu faze-la com a moldura pela localização e pelo tamanho da pintura. A meu pedido voltou para fazer foto de uma parte da moldura para que eu pudesse contratar uma pessoa para fazer computação gráfica do retrato com a mesma. Quanto as medalhas são de meu acervo e do de uma prima.Quanto a foto que deu início ao trabalho é, como indicado, de meu acervo como do da prima citada acima. Dei continuação ao meu trabalho a partir do interesse de um historiador alemão, em 2011, quel enviou-me a foto da casa onde meu avô nasceu; e a casa é autêntica!
    Att,
    Glória Melchert.

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  • Creio que nem vovó Anita sabia de tantos detalhes muito menos minha mãe Amelia. Bela história de vida. Glória incrível seu trabalho, parabéns novamente. Bjs

    Curtido por 1 pessoa

  • Parabens pelo trabalho Gloria ! Sou bisneta dele , filha de Jayme Melchert de Castro , neta de Anita ! Recebi atraves de um compartilhamento do facebook este artigo e senti um grande orgulho de ser bisneta de um homem tao especial que assim como meu pai Jayme dedicou sua vida à Medicina . Hoje minha filha Rachel , estudante do sexto ano de Medicina , me traz muito orgulho por ter herdado de pessoas tao nobres o amor à esse oficio! Tenho em minhas mãos a tese de doutorado de Germano Melchert ,apresentada no Rio de Janeiro , sobre a Febre Puerperal, caso interesse á voce no caso entre em contato comigo ! Um grande abraço

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