Armandinho Neves

Armando Neves, conhecido popularmente com “Armandinho“, nasceu nesta cidade, no dia 28.11.1902. Foi músico, violonista e compositor de música popular brasileira.

“Eu nasci em Campinas,  na Rua General Osório. Minha Mãe? Uma italiana bonita, com olhos azuis de bicho d’água. Meu pai, negrão barbudo, bonzinho como ele só, dizia sempre, com muito jeito, que eu não era grandes coisas. E olha, não era mesmo. A bola estava sempre perto de mim. E bola, naquela época, era assunto que não prestava. Ainda mais para preto”.

Fez de tudo um pouco antes de dedicar-se a viva artística: pintor de parede, ajudante de pedreiro, boiadeiro pelo interior de São Paulo e por aí vai. Aos 19 anos, transferiu-se para a Capital onde, em 1925, começou a aprender violão com os irmãos Matoso (Joaquim e José), que se dedicavam a espetáculos circenses. Em Sampa ,conviveu com grandes violonistas da sua época. Em 1927, trabalhando como músico profissional, atuou como jogador do Corinthians, sendo um de seus principais artilheiros naquela época.

Em 1923, conheceu os violonistas Gustavinho e José Alves Silva e meses depois passou a apresentar-se no palco do Cine Oberdan, ao lado de Walkiria Moreira, Paraguassú, Nestor Amaral e outros. Pouco depois passou a trabalhava como violonista do cantor Paraguassú.

Em 1925, organizou o primeiro regional da Rádio Educadora Paulista. No ano seguinte conheceu os compositores: João Pernambuco(violonista) e Catulo da Paixão Cearense, com os quais viajou para Santos. Nesta viagem compôs com João Pernambuco o choro “Serrano”.

No ano de 1927, conheceu o violonista Américo Jacomino, o popular Canhoto, participando de apresentações por ele organizadas como integrante do conjunto Os Turunas Paulistas. Neste mesmo ano entrou para a Rádio Educadora Paulista, atuando como solista de banjo em regional. Trabalhou com Américo Jacomino nas “Noites brasileiras” e ainda no conjunto Batutas Paulistanos, de Raul Torres, além de trios, quartetos e outras modalidades de conjuntos. Um dos grupos pelo qual passou, com o pseudônimo Lampeão, foi Os Chorões Sertanejos, integrado por Raul Torres (Bico Doce), Antonio Del Bagno (Nho Láo), José Alves Silva – o futuro Aymoré – (Ranzinza) e Artur Santana (Azulão). 

Participando deste grupo gravou o 78 rpm “Jacaré tá no caminho”, pelo Selo Parlophon. Por essa época o conjunto fazia sucesso e apresentava-se em vários pontos da capital paulistana, entre eles Cine São Carlos, Cine Roma, Cine Paulistano, Cine Glória, Circo Piolim-Alcebíades, Cine Santa Helena, Cine Victória e Cine Central. No ano seguinte, em 1928, com a morte de Canhoto, passou a trabalhar na Radio Sociedade Record, organizando o primeiro regional da emissora, do qual seria líder durante um período de 30 anos. Nesta emissora trabalhou como arranjador, preparador de grupos e cantores.

Em 1930 tocou para o violonista paraguaio Augustín Barrios. No mesmo ano, gravou com Larosa Sobrinho, na Parlophon, o cateretê “Casamento na roça” e o choro “Sem querer”, ambas de Lorosa Sobrinho.

Compôs peças para violão, nos mais variados gêneros, como valsas, choros, gavotas, tarantelas etc.

De sua produção, destacam-se os choros “Mafuá”, “Maxixe nº1” e “Choro em dó menor”, peça que participou de concurso promovido pela Rádio Nacional.

Como violonista atuou em importantes conjuntos regionais.

Acompanhou a primeira gravação de Carmen Miranda e Sílvio Caldas e foi escolhido para acompanhador do exigente violonista Rogério Guimarães. Como solista fez em 1938 gravação em disco de 78 rpm para o selo Decelith.

Suas composições foram gravadas por diversos artistas, entre os quais Garoto, Rago, Aymoré e Geraldo Ribeiro.

Em 1957, José Menezes gravou o choro “Mafuá”, na Sinter.

Em 1961 afastou-se da Rádio Record.

No ano de 1966 “Mafuá” foi regravada pelo cantor Aymoré.

No ano de 1970, Geraldo Ribeiro incluiu composições suas no LP que lançou na Fermata naquele ano.

Faleceu em  12 de outubro de 1976, em São Paulo.

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