Quinita Ribeiro Sampaio

Joaquina Elisa Ribeiro Sampaio de Melo Serrano, conhecida como “Quinita”, nasceu nesta cidade, no dia 08 de dezembro de 1926. Filha do Prof. Benedito José Sampaio e de D. Noêmia Gomes Ribeiro Sampaio.

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  Em 1957, foi aprovada e classificada, em 1. lugar, no Concurso de Ingresso no Magistério Secundário e Normal, para provimento da cadeira de Português. Exerceu o cargo de Professora Secundária de Português em Ribeirão Preto, Mococa e Mogi Mirim.

Fez os seguintes cursos de pós-graduação:

Letras Clássicas, na PUC;

Letras, na Universidade de São Paulo;

Literatura Portuguesa, especialização, na Universidade de Coimbra(Portugal), com bolsa de estudos pela Fundação “Calouste Gulbenkian”, onde foi discípula de estudiosos como Manuel de Paiva Boléo e Álvaro Júlio da Costa Pimpão.

Em 1967, foi aprovada com distinção e obteve primeira classificação no exame de “Português Superior” em Curso de Férias ministrado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 

Foi professora de Português do Colégio Estadual Culto à Ciência, de 1959 à 1981 e titular de Literatura  Portuguesa e ‘Dialetologia Brasileira’ na Pontifícia Universidade Católica de Campinas(PUCC).

Casou-se com o português Antônio de Melo Serrano, falecido em 04.12.1998. Deste matrimônio nasceu:  Toninho, Liliana, Fátima e Eduardo.

Netos: Guilherme, Rafael, Marcelo, Eduardo, Fernando, André, Ricardo, Daniel e Pedro.

quinita sampaio

 

Obras

Canto a Três Vozes, c0-autora, poesias;

Aprendizagem pelo Avesso, poesia, 2012.

 

     Aprendizagem pelo avesso

 

Berthe Morisot - Julie Manet - 1892
Berthe Morisot, impressionista francesa, Julie Manet (1892)

RETRATO

Fui íntima um dia
mas como me distanciei
da menina do retrato.

Já habitei sua pele
mas dela nada mais sei
não conheço
a menina do retrato.

Como seria a sua voz
e o som do riso
e o seu choro?

Em vão busco em seu olhar
um vestígio, algum resto.

Um mistério opaco encerra
a menina no retrato.

Em que dia se rompeu
o elo que nos prendia?

Em que dia ela morreu?

 

Berthe Morisot - Dia de Verão -1879
Berthe Morisot, Dia de verão (1879)

NO PRINCÍPIO

No principio
a velhice é um mero objeto.

A gente olha para ela
e até pode fazer pouco
fingir que não a vê.

Leva tempo
mas lá um dia
a velhice
começa a ganhar força de sujeito.

E então é ela que nos olha
sem reservas
com agudeza que desnuda.

E não há como fingir que não a vemos
se até ao espelho nos espreita
antropófaga
(é ironia o seu ar de complacência).

A velhice nos despoja
se apodera.

Ela nos olha
— com o nosso próprio olhar.

 

Berthe Morisot - Leitura -187e
Berthe Morisot, Leitura (1873)

DICIONÁRIO

Fui ao Houaiss atrás da sinonímia de morte.
Fiquei alarmada
eu que já não gosto de pensar nisso.
A morte no dicionário
é merovíngia:
exício decesso decedura
traspasse libitina
limoctônia.

Senhor dos Passos
livrai-nos de todo mal
sobretudo do peso das palavras.
Dai-nos a hora da nossa morte
sem meandros —
morte simples morte pura
rio manso
pôr de sol.

 

Berthe Morisot - Menina com um passarinho
Berthe Morisot, Menina com um passarinho (1891)

TRÍPTICO

O enfermeiro
canta
em acalanto
embala a doença em seus braços
espanta a mudez da sala
modula, solfeja — espalha
a semente.
Planta.

O enfermeiro
chora
— espelho umedecido
gesto brando —
partilha o lenho pesado
ressuda sangue no horto.
Rega.

O enfermeiro
tem riso claro
puro
dá risada iluminada
— um risco de giz no escuro —
alvorada
ressurgência.
Colhe.

 

Berthe Morisot - Retrato de Julie
Berthe Morisot, Retrato de Julie (1889)

OUTONO

A poesia está rondando.
Vem como o outono e as folhas púrpura.
Vem como um sopro, um som de flauta
transversa.
Vem qual memória
a rolar de encosta pedregosa.
Como uma fala antiga, um flébil veio de água
que não estanca.
Vem e é uma estrela, a estrela-guia,
a estrela da tarde.

 

Berthe Morisot - Moça com blusa azul
Berthe Morisot, Moça com blusa azul

ACALANTO

— Minha mãe, não vás ainda.
— Filho, é noite, tenho que ir.

— Quem me canta o acalanto?
— Canta o silêncio por mim.

— Vais embora tão sozinha…
— Há quem me espere na margem.

— Minha mãe, vais sentir frio.
— Levo lírios e lilases.

 

Berthe Morisot - Esconde-esconde
Berthe Morisot, Esconde-esconde (1873)

MIRAGENS

A noite — travessia de um deserto
emparedado
deserto de betume
A memória se enreda em miragens
e interroga
o vazio
— Onde estão meus meninos aonde levaram
aonde levaram

O ar oprime
Imóvel a noite é como lápide
silente e dolorosa

Vivos e mortos despovoaram a casa
a rua e as janelas
As portas não abrem
as vozes são a ausência

— E os meninos os meninos —
as sombras ainda clamam
à noite sem palavras

Tristes miragens no deserto sem resposta

 

Quinita e o Culto
1959

 

 

 

FONTES

http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet344.htm;

Correio Popular

 

 

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Um comentário

  1. Comentário da Profa. Quinita, via E-mail: “Prezado amigo Lucas,

    Começo por dar-lhe os meus parabéns pela idealização de um blog tão belo e tão importante para a história de Campinas.

    E agora quero expressar-lhe a minha imensa gratidão. Que beleza de página você me dedicou em seu “Campinas de outrora”! Você me deixou comovida, por acolher-me assim, de forma tão generosa! Mil vezes obrigada!

    Ficou perfeita a composição da página, Lucas. Você soube combinar as notícias e as fotos com um raro senso de equilíbrio e de harmonia. Isso me fez concluir que você, além de memorialista, é também um artista.

    Mais uma vez obrigada pelo maravilhoso presente!

    Com muito carinho,
    Quinita”.

    Curtido por 1 pessoa

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