Chiquinha

Publicado 31/07/2016 por lcs2308

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Francisca (Chiquinha) de Paula Nogueira Pompêo de Camargo (1862-1940). Nasceu nesta cidade, no dia 28 de abril de 1862, na Rua Barão de Jaguara, esquina da Barreto Leme.

Filha de Francisco (Capitão Chico) José de Camargo Andrade, primeiro presidente da Câmara Municipal de Campinas, lavrador, antigo proprietário das fazendas Monte Alto (Monte D’este) e Sertão, em Joaquim Egydio e de Maria Luiza Nogueira de Camargo (07.09.1845-26.06.1934), filha do Capitão Luciano Teixeira Nogueira, revolucionário de 1842, que foi proprietário da Fazenda Chapadão, onde travou o “Combate da Venda Grande”.

 

Descendente pelo lado paterno e materno dos importantes povoadores José de Camargo Pais (juiz ordinário) e do Capitão Domingos Teixeira Vilela – pai do Frei Antônio de Pádua Teixeira, fundador espiritual (14 de julho de 1774) e o primeiro vigário de Campinas.

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Cresceu na Fazenda Sertão, onde era chamada pelos escravos de “Sinhá Menina”. Recebeu instrução religiosa ministrada pelo Padre Abel, protetor do escravos, sacerdote que oficiava missa aos domingos na fazenda – para alegria de todos e encantamento dos escravos.

 

Mas em 16 de dezembro de 1869, falecia seu pai, o Capitão Chico, deixando Chiquinha e os outros irmãos: Olívia de Paula Nogueira Pompêo de Camargo, Luciano Teixeira Nogueira e Floriano Teixeira Nogueira. Sua mãe, Maria Luiza, em 28 de janeiro de 1871, casou-se em segundas núpcias com Antônio Pompêo de Camargo (02.01.1827-14.03.1884), viúvo, fazendeiro, político e primeiro presidente do Partido Republicano Paulista (PRP), ainda no Império.

Antônio, era conhecido como Totó Pompêo, era um homem boníssimo e foi um pai para os enteados.

No mesmo ano, internou, Chiquinha e sua irmã, Olívia, no Colégio N. Sra. do Patrocínio, em Itu, cursando lá três anos. Com a fundação do Colégio Pestana, em SP,  de propriedade de Francisco Rangel Pestana, correligionário político, amigo de Totó, mudou-se de Colégio.

 

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Com o término do curso, voltaram para a terra natal. Com boa instrução, falavam francês e entoavam com voz doce belas canções. Eram hábeis e caprichosas em trabalhos manuais.

 

Chiquinha, casou-se em 28 de abril de 1881, na capela particular do solar de D. Thereza Michelina do Amaral Pompeu, com Dario Pompêo de Camargo, filho mais velho de seu padrasto. A festa durou dois dias.

 

Dario, recém-casado, logo iniciou a preparação de sua fazenda, anexa à fazenda Sertão: 60 mil pés de café, ou 300 arrobas por mil pés.

Animado, ele, empreitou com o engenheiro Ramos de Azevedo a reforma da casa do Sítio Novo ou Alpes. O casal mudou-se para lá. Preceptora francesa, cozinheiro chinês, conservas francesas… Chiquinha vestia elegantemente modelos de Paris, e Dario roupas de Londres, do melhor alfaiate.

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Na fazenda cavalos de puro sangue, seus parelhereiros participavam dos programas de São Paulo e daqui. Aliás, Dario era sócio do Jockey do Rio de Janeiro, para onde eles iam seguidamente, tendo até exposto lá produtos de sua criação.

Dario comparecia às corridas trajado, usando até cartola cinza. E levava sempre o escravo, Luiz Theophilo, que lhe fazia a barba, engraxava os sapatos e preparava os seus banhos.

 

A vida de Chiquinha, no entanto, em breve tomaria outro rumo, drasticamente, com a queda do Império Cafeeiro, dando início a um novo tomo de sua própria história.

 

A geada de agosto queimou as árvores. Chuvas de granizo acabaram com os cafezais de todo o município. Sobraram daquele mar verde apenas varas cruas.

Veio a libertação dos escravos, a desorganização total, a Proclamação da República, a desastrada política financeira, o Ensilhamento, o café mola real da economia nacional descendo a níveis vis.

É Dario sofreu uma queda de cavalo, ficando inválido. Credores impacientes apoderaram-se da fazenda, levando-a a praça, atirando a família num mar de incertezas. Chiquinha com inabalável força moral e cristã não esmoreceu. Vendeu os móveis, a prataria, as jóias… A família mudou para uma casa humilde no Centro, e ela passou a garantir a subsistência da família costurando.  Confeccionava enxovais e roupas bem feitas, numa época em que o trabalho, especialmente da mulher, estava envolto de preconceitos.  Lucila, sua filha mais velha, encarregou-se da casa, zelando pelos oito irmãos menores.

 

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Em 1902, foi criada a Escola Complementar de Campinas, hoje Escola Estadual Carlos Gomes. Chiquinha candidatou-se ao cargo de professora de Trabalhos Manuais, sendo aprovada, graças ao empenho de Olavo Egydio e José Paulino Nogueira, sendo nomeada em 13 de abril de 1903. Trabalhou durante 30 anos e foi aposentada em 29 de novembro de 1934, nessa ocasião o Prof. Nelson Baker Omegna proferiu um discurso de despedida e o então diretor, Geraldo Alves Corrêa, também elogiou a grande mestra, destacando o exemplo de trabalho.

 

Chiquinha perdeu o esposo, Dário Pompêo de Camargo, em 25 de outubro de 1924. Mas os sofrimentos não haviam terminado. Em 22 de novembro de 1932, faleceu seu filho, Alberto, e, em 28 de fevereiro de 1933, o filho mais velho, Francisco Antônio Pompêo de Camargo (09.07.1882), fundador da Maternidade.

 

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Seu filho, Dr. Francisco Antônio Pompêo de Camargo, um dos fundadores da Maternidade de Campinas.

 

Suportou todas estas desventuras com ânimo forte e espírito cristão. Aliás, sua religiosidade era notável: assistia a missa diariamente, era zeladora do Pão de Santo Antônio, Irmã do Santíssimo e Tesoureira da Associação das Mães Cristãs. Faleceu em 12 de outubro de 1940, aos 78 anos.

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Dario e Chiquinha, tiveram os seguintes filhos:

  • Francisco Antônio (1882-1933), que casou-se em 27 de julho de 1908, com Elsa Nogueira Penteado (27 de novembro de 1886), falecida em 14 de agosto de 1963, filha de Francisco da Rocha Leite Penteado e Maria Luíza Nogueira;
  • Lucilla;
  • Floriano, casado com Francisca Nebro;
  • Dario Filho, banqueiro, falecido em agosto de 1941, casado com Maria Lacerda;
  • Antônio Carlos, falecido em 1981, aos 90 anos, casado com Rachel Meira, falecida em 1970, aos 65 anos, filha de Gentil Augusto Paiva Meira e de Maria da Glória Araújo;
  • Ralph, falecido em 10 de março de 1989, aos 93 anos, casado com Maria de Lourdes Sydow, falecida em 1988, aos 66 anos;
  • Maria Nazareth, falecida em 17 de fevereiro de 1957, casada com Domício Pacheco e Silva;
  • Antônia Amália (Sinhazinha), nascida em 31 de janeiro de 1902 e falecida em 15 de julho de 1973, casada com Alberto Ferraz Brochado de Almeida, nascido em 20 de outubro de 1902 e falecido em 20 de novembro de 1962;
  • Alberto, falecido em 22 de novembro de 1932, aos 43 anos, casado com Jacy (Cecy) Costa, falecida em 27 de abril de 1981, aoa 81 anos, filha de Antônio Ignácio Nascimento Costa e Maria da Glória Ramos;
  • José (1897-1982), casado com Aglaê Leite de Barros (1903-1975)
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