A LAVOURA DA CANA-DE-AÇÚCAR

No terceiro decênio do século XVI, iniciou-se a colonização regular do Brasil, pelo sistema de capitanias, em muitos pontos do litoral brasileiro. Foi através do plantio de cana-de-açúcar que o colonizador pôde se enraizar na terra, contribuindo para o progresso da colônia. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro construirão nos grandes pólos produtores de açúcar.
Em poucos anos o açúcar transforma-se no produto-rei, suplantando o pau-brasil e, o que é melhor, tornando vitoriosa a colonização. Ao findar o século XVI, o Brasil já era o maior produtor mundial de açúcar, situação essa em que se mantém, até meados do século XVII, quando então começa a perder importantes mercados para a indústria concorrente das Antilhas.
Depois de um hiato de quase cem anos, em fins do século XVIII, rebeliões nas colônias francesas e o aumento do consumo na Europa, com mudanças de hábitos alimentares, favoreceram a revalorização do açúcar brasileiro.
Governando a Capitania de São Paulo, na segunda metade do século XVIII, o Morgado de Matheus estimula os fazendeiros a plantar arroz e cana, mostrando aos mesmos as vantagens do seu plantio e pelo seu baixo custo. Muito preocupado estava esta autoridade com o grande atraso da agricultura em São Paulo, segundo ele, motivado pela preguiça ee vadiagem da população. Comungando no mesmo pensamento, estava José Arouche de Toledo Rendon, que no seu livro “REFLEXÕES SOBRE O ESTADO EM QUE SE ACHA A AGRICULTURA NA CAPITANA DE SÃO PAULO”, lamentava o pouco caso do paulista, em 1788, em relação ao cultivo da terra .
A situação passa a melhorar somente na última década do século XVIII, quando o governo paulista passa a estimular a agricultura. Apresentando sinais de melhoria, imediatamente refletir-se-á no setor açucareiro, quando o número de engenhos aumenta, em 1798, de 483, para 574, no ano seguinte. Cabe esclarecer, todavia, que São Paulo não chegaria a alcançar um volume de produção comparável ao do Nordeste nesta época.
A principal área de plantio vai ser o famoso quadrilatéro formado por Sorocaba, Piracicaba, Mogi-Guaçu e Jundiaí. Estas regiões produzem, em 1797, 83.435 arrobas destinadas à exportação.
Em Campinas, o primeiro recenseamento de 1767 revela a existência de três engenhos, provavelmente no bairro de Anhumas, produzindo somente aguardente para o consumo local.
Segundo observações do Historiador Celso Maria Mello Pupo, a indústria açucareira teria sido implantada entre 1790 e 1795, através dos produtores e exportadores: Antônio Ferraz de Campos, Filipe Neri Teixeira, Joaquim José Teixeira Nogueira e Francisco Paula Camargo, possuidores de grande cabedal na região.
É preciso evidenciar que alguns fatores concorreram para a implantação da indústria açucareira na região, como: as grandes reservas florestais que forneciam as lenhas para as fornalhas dos engenhos e a preciosa madeira para a construção dos edifícios. Cabe à figura do carpinteiro toda a construção do engenho e os demais objetos necessários. A região, como lembramos anteriormente, oferecia grandes recursos d’água para movimentar a moenda, como proporcionar a água para os animais necessários aos engenhos e para o transporte. Além disso, o local para a formação de uma fazenda de cana também era escolhida em função de maior ou menor existência de água. O próprio relevo e a existência de terras ubérrimas, em Campinas, favoreciam à formação de pastagens dos animais destinados ao trabalho da moenda ou para o transporte de cana do canavial ao engenho.
Nas terras campineiras cultivava-se a qualidade chamada “caninha ou crioula”. Mais tarde, aparecia a “caiana branca” vinda de Goiás, originária do Taiti, Era mais resistente e de melhor qualidade.
A cana era trabalhada nos engenhos rudimentares de cilindro vertical, movidos por junta de bois. Somente a partir de 1812 é que foi introduzido o primeiro maquinismo horizontal para a moagem, construído na propriedade de Joaquim dos Santos Camargo.
Quando da elevação da freguesia à categoria de vila, em 1797, as crônicas revelam que a maior parte da população já se ocupa da lavoura canavieira. Sentindo o acréscimo de produção, o governador Bernardo José de Lorena coloca Campinas no rol dos lugares mais importantes, juntamente com Itu.
Estudando a produção açucareira de Campinas, Maria Thereza Schorer Petrone observa: “Em 1798, ali havia 37 engenhos que produzia 15.139 arrobas de açúcar e 460 canadas de aguardante”.

Com o aumento e comercialização do produto, o governador Franca e Horta manda reparar a estrada de São Paulo a Goiás, facilitando o escoamento da produção campineira. Ao longo da mesma vão ser construídos os Ranchos Reis, de iniciativa governamental, bem resistentes, cobertos de telha e sólidas paredes de taipa. O botânico Saint-Hilaire, de passagem por Campinas, em 1819, hospedou-se em um deles, em companhia de tropeiros.

As estatísticas apresentadas no recenseamento de 1816 apontam a existência de 45 engenhos, produzindo  46.560 arrobas, numa média de 1034,6 arrobas por engenho. Nesta ocasião , a produção campineira correspondia mais que a média da Província.

Alguns fazendeiros começam a se destacar como grandes proprietários rurais e incentivadores da cultura açucareira como, Francisco Antonio de Souza, Theodoro Ferraz Leite e Floriano Camargo Penteado, sendo que este último produzia oito mil arrobas, somente em dois engenhos.

Prof. Duílio Battistoni Filho

 

 

 

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