PELAS ÓRFÃS DA FEBRE AMARELA

Em 29 de setembro de 1889, às 15h30, num belo domingo de primavera, em trens especiais, afluíram muitas famílias da capital do Estado e das cidades circunvizinhas, tornando o cenário urbano festivo e reflorescido dando início na cidade de Campinas uma QUERMESSE EM PROL DAS OBRAS DO ASILO DE ÓRFÃS, no antigo Jardim Público.
O evento foi organizado por uma comissão composta por destacados cidadãos da sociedade campineira e dos três jornais da cidade. As damas da sociedade campineira, promotoras da quermesse, fizeram o trabalho de “sensibilizar as almas” caridosas para todo o tipo de ajuda com o fim de conseguir o melhor resultado em prol do Asilo de Órfãs e desenvolveram gigantesca campanha financeira, abrangendo vários segmentos da cidade e região. O resultado financeiro ultrapassou o esperado, com o qual foi possível finalizar as obras para que o Asilo de Órfãs pudesse funcionar como internato, abrigando também as meninas que ficaram órfãs na ocorrência da epidemia da febre amarela que assolou a cidade em 1889.
A quermesse que teve festivo remate no dia 13 de outubro de 1889, foi uma das mais brilhantes e frutíferas festas que até então Campinas já presenciara, perdurando por muito tempo na memória de todos os que dela participaram, ficando a representação do ressurgimento de uma cidade vitimada pela febre amarela, e também um verdadeiro processo de revitalização de compromisso com a filantropia.
As obras do Asilo foram concluídas em julho de 1890. Àquele tempo, o asilo mantinha 212 meninas pobres no externato e 20 internas. A inauguração do internato foi feita em 15 de agosto de 1890, dia da festa da padroeira da Santa Casa (N.S. da Boa Morte).

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Pelo texto jornalístico, flui a grandiosidade do evento de benemerência, como elemento de poder de persuasão sobre a sociedade, envolvendo, na comunhão da causa, as pessoas pelo emocional, como denota a estratégia: “Em cada entrada do jardim está atravessado um arco de illuminação a gaz com distico Asylo de Orphans e, além destes, outros arcos no interior do jardim, perfazendo a conta de 12 arcos”. Para isso, foi preciso o aparato apelativo, no sentido de atrair e garantir a presença da população, num verdadeiro exercício de sedução e encanto, através das imagens e símbolos criados: bandeiras de cada país, a réplica da Torre Eiffel, forração de seda no Pavilhão Ramos de Azevedo, flores, enfeites, arquiteturas em formas de navio ou em estilo oriental, … (texto extraído da publicação de Ana Maria Negrão -Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs”

 

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Sobre o Chalet ou Pavilhão Lidgerwood: “….. Está sendo edificado pelos empregados da casa Lidgerwood, que pretendem realizar ali a extração de uma loteria, organizada do modo seguinte: serão vendidos mil bilhetes a rasão de dois mil reis cada um produzindo 2:000$, destes tirarse- há 1:000$ que se dividirá em premios, sendo: 1 de 500$, 1 de 80$, 2 de 35$, 5 de 20$, 10 de 10$ e 30 de 5 $, ficando um conto de réis para a Kermesse.” Fonte: Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs” (1870 – 1960) de Ana Maria Negrão

 

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A casa Notre Dame de Paris se esmerou em seu pavilhão, como encontramos no livro de A.M.M.Negrão: “Face da Rua Augusto Cesar (Torre Eiffel) Logo a entrada ergue-se magestosamente um fac-símile da Torre Eiffel. Tem 20 metros de altura, é dividida em 4 planos; sendo o primeiro, ocupado por um pequeno restaurant, o segundo, dedicado à imprensa fluminense, onde se hasteará uma bandeira proposital e na cupula, será collocado um intenso fóco de luz elétrica. Além desta illuminação terá ainda a de grande número de copinhos de cores variadas. No tope da Torre será erguida a bandeira franceza.” Fonte: Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs” – Ana Maria Negrão Nota: a rua Augusto César é a atual Avenida Julio de Mesquita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Fontes:
Texto: Asilo de Órfãs-A.M.M.Negrão e Caridade e Poder-L.A.Rocha.
Imagens: Biblioteca Nacional Luso-Brasileira)

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