Febre Amarela

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PELAS ÓRFÃS DA FEBRE AMARELA

Publicado 07/07/2017 por lcs2308

Em 29 de setembro de 1889, às 15h30, num belo domingo de primavera, em trens especiais, afluíram muitas famílias da capital do Estado e das cidades circunvizinhas, tornando o cenário urbano festivo e reflorescido dando início na cidade de Campinas uma QUERMESSE EM PROL DAS OBRAS DO ASILO DE ÓRFÃS, no antigo Jardim Público.
O evento foi organizado por uma comissão composta por destacados cidadãos da sociedade campineira e dos três jornais da cidade. As damas da sociedade campineira, promotoras da quermesse, fizeram o trabalho de “sensibilizar as almas” caridosas para todo o tipo de ajuda com o fim de conseguir o melhor resultado em prol do Asilo de Órfãs e desenvolveram gigantesca campanha financeira, abrangendo vários segmentos da cidade e região. O resultado financeiro ultrapassou o esperado, com o qual foi possível finalizar as obras para que o Asilo de Órfãs pudesse funcionar como internato, abrigando também as meninas que ficaram órfãs na ocorrência da epidemia da febre amarela que assolou a cidade em 1889.
A quermesse que teve festivo remate no dia 13 de outubro de 1889, foi uma das mais brilhantes e frutíferas festas que até então Campinas já presenciara, perdurando por muito tempo na memória de todos os que dela participaram, ficando a representação do ressurgimento de uma cidade vitimada pela febre amarela, e também um verdadeiro processo de revitalização de compromisso com a filantropia.
As obras do Asilo foram concluídas em julho de 1890. Àquele tempo, o asilo mantinha 212 meninas pobres no externato e 20 internas. A inauguração do internato foi feita em 15 de agosto de 1890, dia da festa da padroeira da Santa Casa (N.S. da Boa Morte).

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Pelo texto jornalístico, flui a grandiosidade do evento de benemerência, como elemento de poder de persuasão sobre a sociedade, envolvendo, na comunhão da causa, as pessoas pelo emocional, como denota a estratégia: “Em cada entrada do jardim está atravessado um arco de illuminação a gaz com distico Asylo de Orphans e, além destes, outros arcos no interior do jardim, perfazendo a conta de 12 arcos”. Para isso, foi preciso o aparato apelativo, no sentido de atrair e garantir a presença da população, num verdadeiro exercício de sedução e encanto, através das imagens e símbolos criados: bandeiras de cada país, a réplica da Torre Eiffel, forração de seda no Pavilhão Ramos de Azevedo, flores, enfeites, arquiteturas em formas de navio ou em estilo oriental, … (texto extraído da publicação de Ana Maria Negrão -Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs”

 

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Sobre o Chalet ou Pavilhão Lidgerwood: “….. Está sendo edificado pelos empregados da casa Lidgerwood, que pretendem realizar ali a extração de uma loteria, organizada do modo seguinte: serão vendidos mil bilhetes a rasão de dois mil reis cada um produzindo 2:000$, destes tirarse- há 1:000$ que se dividirá em premios, sendo: 1 de 500$, 1 de 80$, 2 de 35$, 5 de 20$, 10 de 10$ e 30 de 5 $, ficando um conto de réis para a Kermesse.” Fonte: Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs” (1870 – 1960) de Ana Maria Negrão

 

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A casa Notre Dame de Paris se esmerou em seu pavilhão, como encontramos no livro de A.M.M.Negrão: “Face da Rua Augusto Cesar (Torre Eiffel) Logo a entrada ergue-se magestosamente um fac-símile da Torre Eiffel. Tem 20 metros de altura, é dividida em 4 planos; sendo o primeiro, ocupado por um pequeno restaurant, o segundo, dedicado à imprensa fluminense, onde se hasteará uma bandeira proposital e na cupula, será collocado um intenso fóco de luz elétrica. Além desta illuminação terá ainda a de grande número de copinhos de cores variadas. No tope da Torre será erguida a bandeira franceza.” Fonte: Infância, Educação e Direitos Sociais: “Asilo de Órfãs” – Ana Maria Negrão Nota: a rua Augusto César é a atual Avenida Julio de Mesquita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Fontes:
Texto: Asilo de Órfãs-A.M.M.Negrão e Caridade e Poder-L.A.Rocha.
Imagens: Biblioteca Nacional Luso-Brasileira)

Thomaz Alves

Publicado 15/06/2014 por lcs2308

O Dr. Thomaz Augusto de Mello Alves Filho, nasceu no dia 24 de dezembro de 1856, no Rio de Janeiro. Filho do jurista Thomaz Alves  e de Da. Emília Augusta de Mello Alves.

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Iniciou os estudos no tradicional Colégio Pedro II. Matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e formou-se em dezembro de 1881. Na época, ele já trabalhava como crítico de literatura, na “Gazeta de Notícias”, importante jornal da época. Mudou-se pra cá, em maio de 1882. Em 17 de outubro de 1883, se casou com Maria Etelvina de Moraes Salles(filha de Major Manuel Reginaldo de Moraes Salles e Maria Francisca de Campos Salles) , que esteve do seu lado na campanha pela construção da maternidade pública.

  Foi no escritório da redação da antiga “Gazeta de Campinas”, na Rua do Commércio(Dr. Quirino) que ele esteve pela primeira vez, quando veio conhecer a nossa cidade. Lá também localizava seu consultório médico. Neste dia, não deixou de fazer uma visita a imprensa local e passou a participar ativamente das reuniões com amigos intelectuais como: Ferreira de Araújo, Arthur Azevedo, Fontoura Xavier, Adelino Fontoura, entre outros. 
Nos folhetins de jornal, ele assinava com o pseudônimo de “Hopp Frog”, e estes sempre foram lidos com o maior interesse e sempre foram aplaudidos. 11214297_10204841898229354_4784473299038021826_n

 Ilustre médico e distinto literário, conviveu com personalidades como: Campos Salles, Francisco Glycério, Dr. Quirino dos Santos, que eram figuras salientes do nosso meio intelectual e político, estabelecendo palestras em que se desabrochavam verdes esperanças e rubro entusiasmo pela propaganda da ideia nova, que pretendia trazer o bem geral do país.

Quando deixou de vez a carreira jornalística, Thomaz Alves passou a se dedicar somente à medicina, e construiu uma linda história nesta atividade.

Em princípio de 1889, explodida a medonha epidemia de febre amarela, o Dr. Thomaz Alves pôs em relevo sua alma generosa no tratamento dos enfermos, sendo ainda mais estimado pelas diversas classes sociais. Teve o dedo indicador inutilizado, certa vez, devido a uma infecção contraída quando cuidava de um doente.
Com a Proclamação da República, Thomaz Alves foi nomeado para assumir o cargo de intendente, em que chegou à presidência do conselho em 1892. 
Foi eleito vereador da câmara municipal e exerceu nobremente seu mandato entre 1889 e 1901. 

 A Maternidade de Campinas foi fruto de seus ingentes e louvados esforços; a Santa Casa da Misericórdia deve-lhe bons serviços, tendo ele feito parte da mesa administrativa, durante alguns anos; da Companhia C. de Águas  e Esgotos (já extinta) foi um esforçado colaborador, ao lado do Dr. Augusto de Figueiredo; como presidente do Centro de Ciências, Letras a Artes prestou valiosos concursos, exercendo dedicadamente este cargo.

 Em 1918, desenvolveu-se inopinadamente,  violenta epidemia de Gripe Espanhola, ceifando inúmeras vidas. A ação constante do médico caridoso foi inexcedível em tal momento aflitivo, nesse circulo de sofrimento em que a população vivia cercada. Ele cuidou de diversos enfermos, correndo as ruas e visitando pronto-soccorros , sempre agindo para que as condições precárias observadas fossem combatidas.

  Dizem que os médicos Thomaz Alves e Barbosa de Barros correram para acudir uma mulher negra, que gemia com dor do parto, na Ponte Preta. Os dois trabalharam a noite toda, em um casebre miserável, que nem tinha luz elétrica. Usaram lampião para iluminar o cômodo. Já tinha amanhecido o dia quando eles voltavam para o Centro, exaustos. Naquele instante, os dois decidiram começar uma campanha para a construção de uma maternidade pública decente.

Thomaz Alves, morreu no dia 23 de Abril de 1920. Em 20 de Dezembro do mesmo ano, a prefeitura o homenageou-o dando seu nome a uma rua da cidade. Em 1925, ele foi homenageado com um monumento na Praça Carlos gomes.

Rua Thomaz Alves, em 1929. Extraído do Álbum de Propagandas para 1930.

Rua Thomaz Alves, em 1929. Extraído do Álbum de Propagandas para 1930. Vemos a Escola Carlos Gomes.

Referências

* Correio Popular;

*Correio Paulistano;

*Álbum de Propagandas de Campinas para 1930;

* C.C.L.A. – Centro de Ciências Letras e Artes.

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