Izidoro Dias Lopes

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Álvaro Ribeiro

Publicado 03/04/2017 por lcs2308

O Prof. Dr. Álvaro Ribeiro, campineiro, nasceu em 17 de fevereiro de 1876 e faleceu em 13 de agosto de 1929. Filho dos portugueses Antônio Joaquim Ribeiro (1841-1910) e Maria Augusta dos Santos Azevedo Ribeiro (1855-1878). Foi Jornalista, escritor e professor.

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Álvaro Ribeiro

Fundou, em 1912, o Diário do Povo: “Com programa combativo e, dirigindo-o pelo espaço de doze anos, fiz dele o jornal de maior circulação dos que se editam no interior do Estado de São Paulo.”. Na imprensa, ele deixou a marca de sua atuação: “Verberando os excessos de autoridades e os abusos administrativos, defendia as causas que me pareciam justas; estimulando as iniciativas úteis e a caridade, protegia os fracos, socorrendo os infelizes e enfermos, ao mesmo tempo em que zelava dos direitos collectivos; propagava os sãos princípios democráticos em parallelo com os preceitos de humanidade.”.

Participando da fundação de outros dois jornais “Cidade de Campinas” e “Commércio de Campinas”;  realizou seu sonho de construir e dirigir um hospital para crianças pobres; e dois colégios, o Cesário Motta e o Ateneu Paulista. Foi vereador por sete legislaturas consecutivas, desde 1906, e escreveu um livro “Falsa Democracia”, denunciando o clientelismo político no Brasil, nos três anos que passou exilado em Portugal, por causa da fracassada revolução de 1924. Jamais recuou: “Em política, adotei, como programa, os princípios básicos da democracia: a moralidade administrativa, a soberania das urnas e a representação das minorias. Na imprensa, como jornalista, nunca a minha pena deixou de obedecer ao meu pensamento.”

A notícia da revolta comandada pelo general Izidoro Dias Lopes em São Paulo, contra o governo do presidente Arthur Bernardes que mantinha os brasileiros sob estado de sítio, chegou a Campinas às nove horas da noite de 5 de Julho de 1924. Um boletim na porta da Casa Mascotte, de Martins Ladeira, que ficava na Rua Barão de Jaguara, alertava que soldados rebeldes haviam cercado o palácio do governo e posto o governador Carlos de Campos para correr. Mais: dizia que, fora da capital paulista, o maior foco de resistência ao movimento era Campinas e que a cidade seria bombardeada.

Nas ruas, comentavam que o prefeito Miguel de Barros Penteado e o delegado regional haviam abandonado a cidade, deixando-a acéfala. Acompanhado de seu secretário Tasso de Magalhães, o então vereador e líder da Oposição Álvaro Ribeiro rumou para a Estação da Companhia Paulista a fim de telefonar para as autoridades militares de Jundiaí. O coronel Mesquita, comandante do Segundo Grupo de Artilharia de Montanha, baseado naquela cidade, confirmou a revolta, deu a entender que havia aderido e sugeriu que o jornalista, como líder da Oposição, assumisse a Prefeitura e se mantivesse neutro. Álvaro Ribeiro aceitou, mas impôs que não houvesse violência em Campinas. O coronel garantiu.

Às onze horas da noite, já estava na Delegacia Regional. O escrivão Jaime Rocha lavrou o termo de nomeação de Pedro Magalhães Júnior como delegado provisório e Álvaro tomou o comando da cidade. Agiu rápido: proibiu a saída de víveres; tabelou o preço dos alimentos; ordenou que o pão fosse vendido a peso e reduziu o preço da carne, cuidando para que uma comissão vigiasse o consumo.

Sua preocupação maior era com os desassistidos: abriu o hospital de isolamento; instalou enfermaria de emergência; dobrou a assistência médica; reativou ambulâncias e providenciou vacinas e remédios, para conter o surto de sarampo e gripe que alcançava a cidade. Reforçou a limpeza urbana e determinou a lavagem e desinfecção diária dos abrigos de refugiados que chegavam da Capital. Removeu os doentes mentais, havia anos internados no porão da delegacia, para o manicômio do distrito de Sousas.

O prefeito Miguel de Barros Penteado reapareceu dois dias depois, para exigir o cargo, alegando não ter abandonado o posto. Álvaro Ribeiro ligou para o coronel Mesquita. O próprio general Izidoro atendeu e mandou que o vereador continuasse no comando da cidade, acrescentando que o prefeito havia dinamitado pontes para dificultar a ação dos revolucionários. Com a revolta sufocada em 17 dias, a Justiça Federal processou Álvaro Ribeiro. Miguel Penteado depôs contra ele no processo e o jornalista, para não ser preso, partiu para o exílio em Portugal, terra de seus pais. Deixou uma Campinas livre da violência e da revolta – nenhum campineiro fora molestado nem detido naquele período.

Como registra o jornalista Eustáquio Gomes, “Álvaro sempre alegou que seus fins eram pacíficos; sua revolução fora principalmente sanitária”.

Em maio de 1924, Álvaro Ribeiro deixou o Diário do Povo “por profunda incompatibilidade” com o sócio. Já cuidava da fundação de outro jornal: “De feição moderna e progressista, sendo o que pretendia dotar minha terra, quando irrompeu a revolução, interrompendo meu trabalho.”.

Voltou três anos depois, em julho de 1927, numa situação inédita na história política do Brasil: reeleito vereador por aclamação popular, quando ainda estava no exílio. Reassumiu o comando do Colégio Ateneu Paulista, acelerou as obras do “Hospital para Crianças Pobres”, que hoje leva seu nome, e, em dois meses, a 4 de setembro, fazia circular em Campinas seu grande sonho: “Um jornal moderno, na altura do seu progresso, e de conformidade com a cultura do seu povo”. O Correio Popular.

O jornalista e historiador campineiro Júlio Mariano registra: “Coube a Álvaro Ribeiro a iniciativa revolucionária no interior de instalar na Princesa D’Oeste a imprensa moderna. Homem público a quem a imprensa era uma necessidade premente, como complemento à sua tribuna política de vereador, Álvaro Ribeiro lançou à publicidade a 4 de setembro de 1927 o Correio Popular, servido desde o seu primeiro número de máquinas linotipos, para a composição, e prelo rotativo para o rodar de suas edições. Contou desde logo com uma redação completa, com um redator próprio para cada uma de suas seções, que eram várias, dando-se ao luxo de possuir mesmo um secretário e um subsecretário e um redator exclusivo para as sociais.

Com Tasso Magalhães respondendo inicialmente pela organização da redação, da qual foi secretário, era impossível o ‘bico’ como atividade aos seus auxiliares, porquanto se exigia a presença dos redatores no jornal mesmo durante o dia, a partir das 13 horas. A César Rocha Brito Ladeira, então jovem, que mais tarde, em São Paulo e no Rio de Janeiro, se revelaria brilhante locutor, coube inaugurar, na moderna folha de Álvaro Ribeiro, a coluna de sociais, escrevendo quotidianamente, para abertura, um poemeto em prosa, que se tornara muito em moda, com Álvaro Moreira, no Rio, e Guilherme de Almeida, na Pauliceia. Como colunista de sociais usava César Ladeira o pseudônimo de Noel Vilaça. A novidade das instalações do Correio Popular, com o seu moderno e caro maquinário e a sua pesada folha de pagamento, como não poderia deixar de acontecer, alvoroçou Campinas.”.

Na edição inaugural do “Correio Popular”, Álvaro Ribeiro definiu no editorial da primeira página “O nosso objectivo”, sempre perseguido e respeitado pelos que fazem o jornal que ele criou para Campinas: “… nos bateremos por todas as causas justas e defensivas, sem preocupações secundárias, para manter conquistas liberaes postergadas por momentâneas conveniências de uma política retrógrada e impatriótica.”.

Retribuía: “A inthensa simpathia pública que rodeou a fundação desta folha é mais um estímulo para o cumprimento integral do nosso dever cívico e social.”. E arrematava: “E tudo fizemos contando exclusivamente com o apoio popular, do qual dependemos, para prosperidade e aperfeiçoamento desta empresa.”.

   ÁLVARO RIBEIRO, em 1929 considerou que a Democracia, estabelecendo a liberdade política, é o governo verdadeiramente nacional, e só admite como Lei aquela que tiver sido formulada de acordo com todas as correntes de opinião. Critica especialmente a ideia da lei poder ser elaborada apenas pelos delegados do partido vencedor.

Atas da câmara ao longo dos anos 20, aparece parcialmente a campanha de Álvaro contra o monopólio da eletricidade em Campinas pela empresa do Byington, que tinha o apoio do Orosimbo Maia, então prefeito e com quem Ribeiro assumiu antagonismo,  numa posição cada vez mais isolada dentro da câmara.

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“Álvaro Ribeiro dorme seu derradeiro sono de herói” – MOACYR CASTRO

Com essa manchete, o Correio Popular de 14 de Agosto de 1929 noticiava a morte de seu fundador. O editorial “Tristíssima perda”, estampado na primeira página, lamentava: “Nesta hora dolorosa em que a angústia nos invade o peito, sentimo-nos como que petrificados em face do profundo golpe por que acabamos de passar. Desaparece do cenário da vida Álvaro Ribeiro, nosso mestre, amigo e chefe. A mágoa que experimentamos e que toda a sociedade campineira experimenta é bem o dístico simbólico do valor desse homem que nasceu sob a égide do Trabalho e da Honra para defender os interesses do povo e bem servir a coletividade.”.

A notícia biográfica enfatiza o espírito de luta em defesa de sua cidade: “Sua pena esteve sempre ao lado das aspirações nobres e justas, propugnando sempre pela vitória da causa popular. E por isso mesmo, o povo campineiro fez dele seu ídolo, depositando nele a sua confiança e elegendo-o à vereança municipal durante sete legislaturas consecutivas. Todo bom campineiro traz no coração o retrato daqueles momentos angustiosos de ansiedade, em que Álvaro surgia como anjo tutelar de sua terra, zelando pela vida, pela honra, pela segurança e tranqüilidade dos seus contemporâneos.”.

Com a morte de Álvaro Ribeiro, seu secretário e grande amigo Tasso Magalhães assumiu a chefia de redação do jornal, mantendo fidelidade à linha independente e de oposição aos desmandos cometidos contra a cidade pelos governantes do Partido Republicano Paulista, o onipresente PRP, que mandava em tudo, até o advento da Revolução de 30. Houve época em que só Álvaro Ribeiro não pertencia àquele partido na Câmara Municipal. “Naquele tempo, vereador trabalhava pela cidade e não ganhava nada”, destaca a filha Maria José.

Bem lembrado, Zezé… ”

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“O derradeiro sono do herói” – MOACYR CASTRO

Há 70 anos, a educação, a saúde, a imprensa e Campinas perdiam Álvaro Ribeiro, fundador do “Diário do Povo”, em 1912, e do “Correio Popular”, em 1927, hoje jornais da RAC — Rede Anhanguera de Comunicações.

Suas filhas Maria José, Elisa Augusta e o filho Álvaro Filho não se esquecem do pai nem da tragédia daquela noite, no refeitório do Colégio Ateneu Paulista, fundado por ele. Maria José e Elisa estavam com a mãe, Hermínia de Godoy Ribeiro, no Cine São Carlos. De repente, apareceu na tela um recado escrito à mão numa folha de papel transparente, colocada na frente do projetor: “Alguém da família Álvaro Ribeiro compareça à portaria.” Hermínia saiu apressada com as duas filhas e encontrou na porta do cinema um grupo de alunos e funcionários do Ateneu. “Disseram que papai havia sofrido um mal súbito na escola, mas quando chegamos lá, ele já estava morto”, lembra Maria José. “Ele discutiu com um aluno interno, da cidade de Socorro”, diz Álvaro Ribeiro Filho, mas nem ele nem as irmãs lembram-se do nome.

Maria José diz que alguns internos do Ateneu eram rebeldes, “filhinhos de papai”, de famílias de fazendeiros da região, que gostavam de fazer algazarra na hora do jantar. “Naquela noite, papai entrou no refeitório disposto a acabar com a folia e começou a se sentir mal diante daquela gritaria. Nos contaram que ele só teve tempo de levar as mãos ao peito e lamentar com aqueles garotos: ‘Vocês estão me matando!’. Caiu e morreu”.

O filho Alvarito acrescenta que o pai já não se sentia bem havia algum tempo. “Os médicos diziam que ele não tinha nada”, afirma. “Mas foram os anos de exílio que agravaram sua saúde”, garantem as filhas. Álvaro Ribeiro aderiu à Revolução de 24, comandada pelo general Izidoro Dias Lopes, contra as oligarquias que sustentavam o governo de Arthur Bernardes, quase todo sob estado de sítio. “Ele deve ter sido o primeiro campineiro exilado político”, acredita Elisa Augusta, hoje com 80 anos, morando em São Paulo.

Alvarito era muito pequeno, tinha dois meses quando o pai embarcou para Lisboa, ainda em 1924, e se lembra pouco dele. “Voltei a Campinas com três anos e aprendi a falar Português em Portugal…” Elisa tinha dez anos. Ela conta que o pai alugou uma quinta (chácara) no Estoril e a batizou com seu nome: “Quinta Elisa”. Tempos difíceis.

A mãe, o filho e as filhas viajaram no vapor “Marsília”, numa jornada de quase um mês, da qual eles nada se lembram, de tanto enjôo. “Chovia muito quando chegamos com mamãe, seis meses depois de papai. Ela foi procurar algo para vedar a porta da varanda e o que encontrou foi uma bandeira do Brasil, que ninguém sabe como estava lá. Não me esqueço desse episódio e da emoção do meu pai. Ele me punha no colo e dizia: ‘Veja como o céu daqui é bonito, mas não é mais bonito que o de Campinas. Nem o sol brilha igual…’”. No exílio, Álvaro escreveu o livro “Falsa democracia”, sempre atual, “porque denuncia o abandono dos desfavorecidos e a força dos poderosos contra os oprimidos que já havia no Brasil”, comparam os filhos.

Maria José, a mais velha, 83 anos, vivendo em Petrópolis, ainda fala com horror da Revolução de 24: “Foi pavoroso. O povo fugia dos bombardeios; a comida havia acabado; perseguiam papai, que era o único membro da oposição na cidade. Refugiados chegavam de São Paulo e eram instigados a procurá-lo, como se ele fosse o culpado pela revolta. Campinas ficou uma cidade aberta, entregue à própria sorte, sem meios para abrigar tantos feridos e doentes, muitos com tifo. Entravam em casa armados, buscavam meu pai até debaixo da cama. Um desaforo!”.

Já no exílio, segundo Maria José, Álvaro Ribeiro encontrou-se em Lisboa com Washington Luís, que vinha de Paris, então recém-eleito para suceder a Arthur Bernardes. “O Washington prometeu a papai anistiar a todos os exilados por aquela revolução. Mas a anistia só veio quando papai decidiu voltar, em 1927, e, com um grupo de amigos, e dos primos, donos da famosa Confeitaria Colombo, cobrou a promessa do presidente, no Rio de Janeiro. Sua chegada a Campinas, na Estação da Paulista, foi uma apoteose. O povo o carregou em triunfo até nossa casa, na Rua Doutor Quirino”, lembra Maria José. “A mesma casa que tinha sido do Barão de Jaguara”, emenda Elisa Augusta. Maria José não se esquece daquele momento: “Ele fez um discurso muito bonito, falava bem. Sempre que eu via o Carlos Lacerda discursando, aqui no Rio, me lembrava de papai. Era um homem que enxergava o futuro, conseguia ver o que era invisível para os outros!”.

Outro episódio inesquecível para essa “repórter da família Ribeiro”, como os irmãos a consideram: “Eu tinha seis anos. Papai era vereador, sempre na oposição. Parou na porta de casa um carro luxuoso e desceu uma mulher muito chique. Eu estava no portão, ela me deu um anel de brilhantes e pediu para falar com o Álvaro Ribeiro. Minutos depois, aquela mulher saiu quase escorraçada de casa. A mando de alguém, ela queria o apoio dele para que votasse, na Câmara, o aumento da conta de luz. Sei que a luz não aumentou. A mulher fugiu assustada. Nem tive como devolver o anel. Tenho até hoje, como lembrança daquela história…” Maria José jura que não sabe quem era aquela dona…”

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  Casou-se com Hermínia de Godoy Ribeiro, falecida em 19 de julho de 1956, filha de Lázaro Marcellino de Godoy (16.02.1847-27.05.1930) e de Elizabeth (Elisa) Hucke (24.10.1857-05.02.1941), pais de * Maria José (Zezé), casada com Remy Martins; * Elisa Augusta, casada com José Altino Silveira Brasiliano e * Álvaro Filho, casado com Maria Helena (Léa) de Rocco Ribeiro.

Irmão de: Alberto Ribeiro, casado com Etelvina Fonseca; * Antônio Joaquim Jr, casado com Antônia Fonseca e Maria Augusta.

Cunhado de: Frederico de Godoy, Eduardo de Godoy, Laura de Godoy, Francisca de Godoy Jacob, Maria de Godoy Passos, Alfredo de Godoy, Leonor de Godoy Paranhos, Cyro de Godoy, Irma de Godoy Cardoso e Olívia de Godoy.
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